domingo, 27 de novembro de 2016

Ano VII - número 73 - dezembro/2016 - *edição especial*: Sexto aniversário do Blog de Comentários

         Prezado leitor, cara leitora, o mês de dezembro é deveras significativo para este Blog, que, neste ano, comemora o seu sexto aniversário e o terceiro ano de sua reinauguração.
         Porém, o BLOG PROF. STEFAN - LÍNGUA PORTUGUESA - COMENTÁRIOS é quem presenteia com intenso júbilo os seus fiéis leitores como de costume. Desta vez, com mais um artigo esclarecedor, tratando sobre o Português no Mundo. Leia-o atentamente para o seu aprimoramento intelectual.
         Atualmente o português é língua oficial de oito países (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor Leste). Apesar da incorporação de vocábulos nativos e de modificações gramaticais e de pronúncia próprias de cada país, as línguas mantêm uma unidade com o português de Portugal.
         O português também é falado em pequenas comunidades, reflexão de povoamentos portugueses datados do século XVI, como é o caso de:
Zanzibar (na Tanzânia, costa oriental da África);
Macau (ex-possessão portuguesa encravada na China);
Goa, Diu, Damão (na Índia);
Málaca (na Malásia).
         A Língua Portuguesa se faz presente em todos os continentes, observe:
América: O Brasil é o único país de língua portuguesa na América. Durante o período colonial, o português falado no Brasil foi influenciado pelas línguas indígenas, africanas e de imigrantes europeus. Isso explica as diferenças regionais na pronúncia e no vocabulário verificadas, por exemplo, no nordeste e no sul do país. Apesar disso, a língua conserva a uniformidade gramatical em todo o território.
Europa: O português é a língua oficial de Portugal. Em 1986, o país passa a integrar a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a língua portuguesa é adotada como um dos idiomas oficiais da organização. Existem falantes concentrados na França, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e Suécia, sendo a França o país com mais falantes.
Ásia: Entre os séculos XVI e XVIII, o português atuou como língua franca nos portos da Índia e sudeste da Ásia. Atualmente, a cidade de Goa, na Índia, é o único lugar do continente onde o português sobrevive na sua forma original. Entretanto, o idioma está sendo gradualmente substituído pelo inglês. Em Damão e Diu (Índia), Java (Indonésia), Macau (ex-território português), Sri Lanka e Málaca (Malásia), fala-se o crioulo, língua que conserva o vocabulário do português, mas adota formas gramaticais diferentes.
Oceania: O português é idioma oficial no Timor Leste. No entanto, a língua dominante no país é o tétum. Devido à recente ocupação indonésia, grande parte da população compreende o indonésio bahasa e apenas uma minoria compreende o português.
África: O português é a língua oficial de cinco países, sendo usado na administração, no ensino, na imprensa e nas relações internacionais. A língua convive com diversos dialetos crioulos.
         Em Angola, 60% dos moradores falam o português como língua materna. Cerca de 40% da população fala dialetos crioulos como o bacongo, o quimbundo, o ovibundo e o chacue.
         Em Cabo Verde, quase todos os habitantes falam o português e um dialeto crioulo, que mescla o português arcaico a línguas africanas. Há duas variedades desse dialeto, a de Barlavento e a de Sotavento.
         Em Guiné-Bissau, 90% da população fala o dialeto crioulo ou dialetos africanos, enquanto apenas 10% utiliza o português.
         Em Moçambique, somente 0,18% da população considera o português como língua oficial, embora seja falado por mais de 2 milhões de moçambicanos. A maioria dos habitantes usa línguas locais, principalmente as do grupo banto.
         Nas ilhas de São Tomé e Príncipe, apenas 2,5% dos habitantes falam a língua portuguesa. A maioria utiliza dialetos locais, como o forro e o moncó. (Extraído e adaptado de www.soportugues.com.br)
         Concluindo, os melhores votos de feliz e santo Natal para todos os internautas leitores deste Blog aniversariante! 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Ano VI - número 72 - novembro/2016: O Acordo Ortográfico e sua polêmica (IX)

         Caro leitor, cara leitora, nesta publicação, damos prosseguimento ao tema da reforma ortográfica e já nos encaminhamos à sua conclusão. Neste mês de novembro, a polêmica em torno do Acordo Ortográfico continua como o assunto em pauta.
         No estado do Acre, surgiu uma polêmica. Lá os seus habitantes afirmam que foi o Acordo que alterou a grafia do adjetivo gentílico acreano para acriano.
         Na verdade, a composição do adjetivo gentílico remete a uma norma antiga, que o Acordo apenas manteve. De acordo com essa regra, do substantivo próprio Iraque, por exemplo, retira-se a última vogal e acrescenta-se o sufixo -iano. Da mesma forma, acriano.
         Observa-se que o povo do Acre rejeita a norma-padrão, pretendendo tornar legítimo o seu tradicional "acreano". Quer fazer valer esse hábito seu. Diz estar no seu direito. Aliás, por que a regra deveria se sobrepor ao costume, se este não fere a dignidade de ninguém?
         O Direito ensina que a norma serve para salvaguardar um valor. O valor maior, nessa situação, é a cultura local, que deve ser defendida e promovida porque representa a identidade do povo, seu modo de viver, sua história de resistência e, consequentemente, sua soberania e autoestima.
         Para solucionar tal impasse expresso pelo desejo da população, o governo do Estado preparou no início do ano uma consulta pública pela Internet, para verificar se o termo "acreano" seria confirmado como o preferido. Na época, a AAL (Academia Acreana de Letras) se posicionou contra a mudança, alegando que nenhum decreto pode modificar uma tradição e que o gentílico é parte fundamental da construção identitária dos habitantes de determinado local. O próximo passo seria tomar as medidas legais cabíveis para torná-lo oficial.
         Dito e feito. Após consulta pública e análise na Aleac (Assembleia Legislativa do Acre), o governador Tião Viana sancionou a lei Nº. 3.148 que institui o termo "acreano" com "e" como o gentílico oficial do estado. O texto foi publicado na edição do dia 28/07/2016 do Diário Oficial do Estado.
         Porém, vale registrar, em meio à polêmica, algumas reações criativas dos cidadãos, que ilustram o bom humor do povo. Por exemplo, esta indignação extraída de uma rede social: "É melhor devolver o Acre pra Bolívia do que escrever 'acreano' com "i"."
         Dessa forma, concluímos, neste Blog, as considerações e os comentários a respeito do tema da reforma ortográfica, que foram feitos ao longo do ano, desde o mês de fevereiro. É importante enfatizar que a nova ortografia se tornou obrigatória em janeiro de 2016.
           

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Ano VI - número 71 - outubro/2016: A situação atual da educação brasileira (II)

         Caro (a) leitor (a), chegamos mais uma vez ao mês de outubro, que, anualmente, é portador da data dedicada aos professores. A cada ano que passa, a conjuntura educacional brasileira se vê envolta em crescentes e gravíssimos problemas. Este Blog, mais uma vez, interrompe suas habituais publicações, para destacar o palpitante tema da preocupante situação da educação brasileira.
         Nos anos 1950/1960, pensava-se que bastaria dotar os professores de livros e de materiais pedagógicos novos. Mas, a realidade é que a excelência e a qualidade da educação estão ligadas fortemente à qualidade da formação docente. Outro fato é que aquilo que o professor pensa sobre o ensino determina o que ele faz quando ensina. 
         O desenvolvimento dos professores é uma condição imprescindível para o desenvolvimento da escola. Sem o docente, nenhuma reforma, inovação ou transformação irá perdurar. 
         Os professores devem ser considerados como sujeitos que, em atividade profissional, são levados a se envolver em situações formais de aprendizagem.
         Somente ocorrerão mudanças profundas quando a formação dos docentes deixar de ser um mero processo de atualização, executada de cima para baixo, e se converter em verdadeiro processo de aprendizagem, como um ganho individual e coletivo, e não como uma agressão. 
         Tal situação sombria da educação brasileira também é resultado de pouco engajamento e pressão por parte da população de um modo geral, contribuindo à lentidão. 
         Enquanto isso, a tão almejada meta de alfabetizar todas as crianças até os oito anos de idade está distante de ser atingida e ainda se carrega o peso de um baixo desempenho no IDEB. A meta do Brasil é de chegar a 6 no ano de 2022.
         Concluindo, resta-nos homenagear a todos os valorosos mestres do nosso Brasil, que são verdadeiros heróis em meio às gravíssimas dificuldades de toda ordem por que estão passando e abandonados irresponsavelmente pelo poder público constituído.
SALVE DIA 15 DE OUTUBRO: DIA DO PROFESSOR!         

sábado, 3 de setembro de 2016

Ano VI - número 70 - setembro/2016: O Acordo Ortográfico e sua polêmica (VIII)

         Prezado (a) leitor (a), prosseguimos, na presente publicação, com o tema da reforma ortográfica, pois a nova ortografia se tornou obrigatória em janeiro deste ano. Neste mês, trataremos sobre o Acordo Ortográfico e sua polêmica.
         Esse Acordo de unificação ortográfica, embora esteja sendo discutido agora, na verdade, possui suas raízes no início da década de 1990. O Acordo, desde aquela época, pretende a unificação da ortografia da língua portuguesa, e não da língua portuguesa. A língua é uma coisa viva, em constante mutação, que varia de acordo com a província, com os enunciados e necessidades dos falantes. E unificar a ortografia, diga-se de passagem, jamais foi tarefa fácil, mas é possível.
         Os países lusófonos decidiram unificar as formas de grafar os vocábulos que são grafados de maneira diferente em cada localidade. Somente foi alterado aquilo que diferia muito nas grafias e que não alteraria por demais a relação dos falantes com a língua portuguesa.
         Por isso, não é correto o argumento em que se afirma que não é uma unificação de verdade porque permite duas grafias, uma vez que elas passam a ser consideradas oficiais e o valor de ambas é unificado.
         Em termos reais, é muito difícil afirmar o número de palavras alteradas porque é impossível quantificar as palavras de um idioma. Os portugueses não admitem o Acordo porque desejam preservar a pureza da língua.
         Entretanto, o português falado no Brasil é muito mais parecido com o português que se falava no século XVI. Conclui-se que aqui o português é mais antigo e, portanto, a pureza é mais preservada por nós do que por eles. 
         Com o Acordo de unificação ortográfica, a legitimidade da língua estará com todos os países lusófonos, e não apenas com Portugal.
         Outra afirmação incorreta é a de que, com a retirada de alguns acentos, a reforma pretende tornar o português um idioma  mais jovem, mais moderno e mais próximo da língua utilizada pelos jovens nas redes sociais. Ora, quando o Acordo foi proposto, a Internet era muito pouco difundida e a inspiração não era essa. Não foi tal descompromisso dos jovens com as regras gramaticais que norteou o Acordo.
         A próxima publicação do Blog estará voltada aos mestres, no mês que lhes é dedicado. Oportunamente, retornaremos ao tema do Acordo Ortográfico e sua polêmica.   

sábado, 30 de julho de 2016

Ano VI - número 69 - agosto/2016: O Acordo Ortográfico, o hífen e o acento diferencial (VII)

         Assíduo (a) leitor (a), na presente publicação, concluiremos o tema da reforma ortográfica no que se refere ao emprego do hífen. Também veremos o acento diferencial na reforma ortográfica.
         No intuito da melhor compreensão sobre as regras específicas do emprego do hífen, vamos exemplificá-las através de grupos de palavras.
1. autoafirmação
2. contrassenso, corredator, antirroubo
3. preencher, pronome: Os elementos pre- e pro- átonos se aglutinam ao segundo elemento.
4. pré-histórico, pré-pago, pós-operatório: Os elementos pré- e pós- tônicos exigem hífen.
5. semi-integral, auto-observação, anti-inflamatório
6. sobre-humano: Quando o segundo elemento inicia com h, o hífen se mantém.
7. extracurricular
8. desumanizar, inabitual: Quando o primeiro elemento é des- ou in- e o segundo elemento inicia com h, os dois elementos se aglutinam e o h fica eliminado.
         Com relação ao acento diferencial, observemos as orações a seguir:
I. Ele não pôde evitar o atraso.
II. Não se pode dizer que ele não foi avisado.
As palavras em destaque nas orações I e II apresentam diferença sonora e semântica: pôde: timbre fechado, indica passado; pode: timbre aberto, indica presente.
I. Ela já passou por aqui.
II. Ele é a cara da mãe, sem tirar nem pôr.
Pôr: verbo, monossílabo tônico; por: preposição, monossílabo átono.
As palavras pôde e pôr são as únicas da língua portuguesa que recebem, atualmente, um acento denominado diferencial. Para indicar o pretérito perfeito do indicativo do verbo poder, com timbre fechado, e para diferenciar o infinitivo do verbo pôr da preposição por, deve-se utilizar o acento circunflexo.
          Na próxima publicação, de setembro, traremos mais considerações a respeito do tema da reforma ortográfica. Até o próximo mês!

sábado, 25 de junho de 2016

Ano VI - número 68 - julho/2016: O Acordo Ortográfico e o hífen (VI)

         Caro leitor, cara leitora, o tempo passou célere e já estamos no segundo semestre do ano de 2016, iniciando o mês de julho com o habitual período breve de recesso de todos os envolvidos no processo educativo.
         Prosseguimos, na atual publicação, com o tema da reforma ortográfica e novos exemplos de palavras, ilustrando as alterações referentes ao hífen.
         A seguir, uma lista de vinte palavras existentes na língua portuguesa a partir da união de dois elementos e grafadas de acordo com as regras ortográficas atualizadas:
1. agronegócios; 2. ex-rival; 3. biorritmo; 4. multinacional; 5. extra-humano; 6. antinacional; 7. fotografia; 8. autoestima; 9. micro-ônibus; 10. internacional; 11. hiper-realista; 12. anti-horário; 13. sobre-humano; 14. pós-romântico; 15. anti-higiênico; 16. inter-racial; 17. geografia; 18. anti-inflamatório; 19. telegrafia; 20. ultrarromântico.
         Agora, alguns títulos de notícia extraídos da Internet e adequados às novas regras:
1. Autosserviço em supermercado pode ser proibido
2. Morales se une ao projeto anti-imperialista de Venezuela e Cuba
3. Senado aprova MP que muda acesso a documentos ultrassecretos
4. Israel se preocupa com uma onda antissemita no mundo
5. Negada indenização por construção de autoestrada
6. Paraquedas reserva salva soldado em exibição a Jobim
7. Fórum pede a países ricos corresponsabilidade nas migrações
8. Rússia instala defesa antiaérea nas embaixadas
9. Campanha contra o câncer de mama dá ênfase ao autoexame
10. Saúva se 'associa' a micro-organismos para proteger a colônia
         Por fim, a enumeração de mais algumas palavras grafadas em consonância com as regras ortográficas obrigatórias: anti-infeccioso; suprarrenal; extraoficial; antirrugas; autossuficiente; semissólido; autoimune; extrasseco; anti-ibérico; semiárido.
         Na publicação do mês vindouro, este Blog encerrará o tema do hífen, mas prosseguirá com a reforma ortográfica. Para todos os envolvidos no processo educativo, ótimo e proveitoso período de recesso!     
 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ano VI - número 67 - junho/2016: O Acordo Ortográfico e o hífen (V)

         Amigo (a) leitor (a), o tema da reforma ortográfica concernente aos aspectos do emprego do hífen prossegue em mais esta publicação do Blog.
         No intuito de reforçar o que foi abordado na publicação anterior, vamos registrar mais um exemplo de palavra que se enquadra em cada uma das seis regras mencionadas, bem como exemplos de exceção.
Usa-se o hífen: 
1. anti-higiênico; exceção: desumidificar;
2. auto-observação; exceção: coordenar;
3. pré-natal; exceção: promover.
Não se usa o hífen:
1. girassol; 
2. minissaia; exceção: inter-regional;
3. coeducação.
         Na sequência, segue uma lista de palavras para a correta análise (confirmação da grafia ou correção, sempre em consonância com a reforma ortográfica):
- anteontem: grafada corretamente;
- ex-presidente: grafada corretamente;
- auto-escola: grafia correta: autoescola. Regra: Não existe hífen quando o primeiro elemento termina com vogal diferente daquela que começa o segundo elemento.
- contra-regra: grafia correta: contrarregra. Regra: Não existe regra especial para usar o hífen com os elementos contra-, anti- ou mini-. Além disso, o segundo elemento iniciado por r ou s deve ter essa consoante duplicada.
- mini-saia: grafia correta: minissaia;
- anti-social: grafia correta: antissocial;
- sem-número: grafada corretamente;
- microondas: grafia correta: micro-ondas. Regra: O hífen deve ser empregado quando o primeiro elemento termina com a mesma vogal com que começa o segundo elemento;
- intermunicipal: grafada corretamente;
- sub-raça: grafada corretamente;
- reedição: grafada corretamente;
- superaquecimento: grafada corretamente;
- recém-nascido: grafada corretamente;
- antiidade: grafia correta: anti-idade;
- cooptar: grafada corretamente;
- promover: grafada corretamente.
         Na publicação do próximo mês, este Blog veiculará mais palavras para fixação das novas regras ortográficas referentes à utilização do hífen. Até o mês vindouro!