sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ano VI - número 67 - junho/2016: O Acordo Ortográfico e o hífen (V)

         Amigo (a) leitor (a), o tema da reforma ortográfica concernente aos aspectos do emprego do hífen prossegue em mais esta publicação do Blog.
         No intuito de reforçar o que foi abordado na publicação anterior, vamos registrar mais um exemplo de palavra que se enquadra em cada uma das seis regras mencionadas, bem como exemplos de exceção.
Usa-se o hífen: 
1. anti-higiênico; exceção: desumidificar;
2. auto-observação; exceção: coordenar;
3. pré-natal; exceção: promover.
Não se usa o hífen:
1. girassol; 
2. minissaia; exceção: inter-regional;
3. coeducação.
         Na sequência, segue uma lista de palavras para a correta análise (confirmação da grafia ou correção, sempre em consonância com a reforma ortográfica):
- anteontem: grafada corretamente;
- ex-presidente: grafada corretamente;
- auto-escola: grafia correta: autoescola. Regra: Não existe hífen quando o primeiro elemento termina com vogal diferente daquela que começa o segundo elemento.
- contra-regra: grafia correta: contrarregra. Regra: Não existe regra especial para usar o hífen com os elementos contra-, anti- ou mini-. Além disso, o segundo elemento iniciado por r ou s deve ter essa consoante duplicada.
- mini-saia: grafia correta: minissaia;
- anti-social: grafia correta: antissocial;
- sem-número: grafada corretamente;
- microondas: grafia correta: micro-ondas. Regra: O hífen deve ser empregado quando o primeiro elemento termina com a mesma vogal com que começa o segundo elemento;
- intermunicipal: grafada corretamente;
- sub-raça: grafada corretamente;
- reedição: grafada corretamente;
- superaquecimento: grafada corretamente;
- recém-nascido: grafada corretamente;
- antiidade: grafia correta: anti-idade;
- cooptar: grafada corretamente;
- promover: grafada corretamente.
         Na publicação do próximo mês, este Blog veiculará mais palavras para fixação das novas regras ortográficas referentes à utilização do hífen. Até o mês vindouro!                     

domingo, 15 de maio de 2016

Ano VI - número 66 - maio/2016: O Acordo Ortográfico e o hífen (IV)

         Caro (a) leitor (a), continuamos, nesta publicação, a tratar sobre a reforma ortográfica, mais especificamente, no que se refere aos aspectos do emprego do hífen.
         Eis as mudanças estabelecidas em relação à utilização do hífen:
Usa-se o hífen:
1. nas palavras formadas por dois elementos em que o segundo inicia por h. Exemplos: pré-história, super-homem, sub-humano, semi-hospitalar. Exceção: Palavras formadas com os elementos des- e in- nas quais o segundo elemento perdeu o h inicial (nesses casos, escreve-se desumano, inábil, inumano).
2. nos vocábulos em que o primeiro elemento termina com a mesma vogal com que começa o segundo elemento. Exemplos: contra-almirante, micro-ondas. Exceção: Vocábulos iniciados pelos elementos co- e re-. Nesses casos, o hífen não é usado (cooperação, reescrita).
3. nos casos especiais que seguem: com os elementos circum- e pan- antes de m, n e vogal (além do h, que já foi mencionado acima); com os elementos pré-, pós- e pró-; com os elementos ex-, vice-, sota-, soto- e vizo-; com os elementos além-, aquém-, recém- e sem-. Exemplos: circum-navegação, pan-americano, pós-graduação, ex-presidente, vice-governador, além-mar, recém-nascido, sem-cerimônia. Exceção: Nas palavras em que os elementos pre, pos- e pro- não são tônicos. Nesses casos, não se utiliza hífen (prever, prorrogar, posfácio).
Não se usa o hífen:
1. em determinadas palavras compostas nas quais se perdeu a noção de composição. Exemplos: paraquedas, paraquedismo, mandachuva. Exceção: A maioria das palavras compostas permanece sendo grafada com hífen. É necessário verificar cada caso atentamente.
2. nos vocábulos em que o segundo elemento inicia com r ou s, devendo essas consoantes ser duplicadas. Exemplos:  antirreligioso, contrarregra, infrassom. Exceção: Quando o primeiro elemento do vocábulo termina com r, como hiper-, inter- e super-. Nesses casos, escreve-se hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.
3. nas palavras em que o primeiro elemento termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: extraescolar, aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem, antiaéreo, agroindustrial, hidroelétrica.
         Na publicação vindoura, teremos a continuação do tema da reforma ortográfica referente ao uso do hífen. Até o próximo mês!       

sábado, 9 de abril de 2016

Ano VI - número 65 - abril/2016: O Acordo Ortográfico, a acentuação gráfica e o hífen (III)

         Prezado leitor, cara leitora, nesta publicação, damos prosseguimento ao tema da reforma ortográfica no que se refere aos aspectos da acentuação gráfica, incluindo a introdução dos aspectos do emprego do hífen.
5. O u dos grupos que, qui, gue, gui recebia acento agudo quando era pronunciado e era a vogal tônica (em oposição ao trema utilizado quando o u era pronunciado, porém átono - como em seqüência). Com o Acordo, tanto esse acento quanto o trema deixaram de ser usados: Todos acham que é preciso averiguar a veracidade daquelas informações. Por isso querem que eu averigue pessoalmente no prazo de um mês. / Na próxima ocasião, outro professor vai arguir os candidatos, porque os que sempre arguem estão em licença. / É preciso apaziguar os ânimos. Sugerem que o senador apazigue com um discurso extra. / Não vai mais arguir as testemunhas o juiz que usualmente as argui. Observação: Embora o u tônico não leve mais acento, ele continua sendo pronunciado. O trema somente continua sendo usado em nomes próprios estrangeiros e seus derivados. 
6. Crianças que aprendem a ser determinadas têm mais facilidade na vida adulta: "A persistência é o caminho do êxito." A frase, dita por Charles Chaplin, parece resumir o sucesso do ator que se tornou uma referência do cinema mudo. Para pesquisadores da Universidade Brigham Young (EUA), no entanto, o trabalho árduo começa ainda na infância, dentro de casa. / Se o título da notícia iniciasse com "criança determinada", o verbo ficaria desta forma: tem. O título contém o verbo ter na terceira pessoa do plural do presente do indicativo, que apresenta acento circunflexo. Isso o diferencia da conjugação na terceira pessoa do singular: ele tem / eles têm. / "Crianças determinadas têm mais chance de sucesso." Se o verbo ter fosse substituído pelo verbo deter no presente, teríamos: "Crianças determinadas detêm mais chance de sucesso." A regra de acentuação para as palavras tem / têm e vem / vêm (e as formas verbais equivalentes dos verbos derivados de ter e vir) não foi alterada.
         Dentre as alterações propostas pelo Acordo Ortográfico, nenhuma causou tamanha polêmica quanto a utilização do hífen. Entretanto, apesar das dificuldades, a proposta teve como critério a simplificação.
         Na próxima publicação, teremos a oportunidade de recordar as mudanças estabelecidas pela reforma ortográfica em relação ao uso do hífen. Até o próximo mês!     

sábado, 19 de março de 2016

Ano VI - número 64 - março/2016: Convenção ortográfica / O Acordo Ortográfico e a acentuação gráfica (II)

         Caro (a) leitor (a), na presente publicação, vamos prosseguir, tratando sobre o tema referente à reforma ortográfica, mais especificamente, dos aspectos da acentuação gráfica.
         No final de 2008, foi regulamentado no Brasil um acordo internacional que unificou a ortografia da língua portuguesa a partir de janeiro de 2009. Isso significa que os países que falam a língua portuguesa passaram a utilizar uma grafia comum. Determinadas alterações envolveram o sistema de acentuação gráfica.
1. Os ditongos eu, ei, oi são acentuados somente em monossílabos tônicos (mói) ou quando forem tônicos na última sílaba (herói). Deve-se escrever heroico porque o ditongo tônico oi está na penúltima sílaba (palavra paroxítona). Os anéis ficaram presos nos anzóis. > Os ditongos tônicos ei e oi estão na última sílaba (a-néis, an-zóis) e, conforme o Acordo Ortográfico, devem ser acentuados. 
2. A primeira vogal tônica dos hiatos tautofônicos oo e ee não é acentuada: Eles veem algum sentido nisso? / Eles releem os capítulos indicados pelo professor. / Eu enjoo em estradas com curvas acentuadas. / Eu não perdoo a sua ingratidão.
3. Apenas dois acentos diferenciais continuam obrigatórios: pôr (verbo no infinitivo) e pôde (no pretérito perfeito): O tempo não para. / A Terra é achatada nos polos. / Faltou energia: ela não pôde enviar a mensagem pelo computador. / Muitos mamíferos apresentam o corpo coberto por pelos. / Após o Acordo Ortográfico, não é mais necessário pôr acento em certas palavras.
4. Antes do Acordo, i e u tônicos que formassem sílaba sozinhos (ou seguidos de s) e estivessem em hiato com a sílaba anterior eram acentuados. Isso não ocorre mais somente em um caso: quando i e u forem tônicos em paroxítonas e formarem hiato com um ditongo anterior. 
ci-ú-me / fei-u-ra / ba-la-ús-tre / re-ú-no / e-go-ís-mo / ca-fe-í-na / san-du-í-che: Todas essas palavras são paroxítonas e feiura não recebe mais acento porque forma hiato com um ditongo anterior, não com uma vogal.
         Encerrando esta publicação, estimo a todos os leitores uma feliz e santa Páscoa da Ressurreição !              

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Ano VI - número 63 - fevereiro/2016: Convenção ortográfica / O Acordo Ortográfico e a acentuação gráfica (I)

         Chegamos ao segundo mês de 2016. Como o feriado carnavalesco ocorre no início de fevereiro, as atividades e o ano letivo, na maioria das instituições de ensino do país, só começarão na sequência.
         Prezado (a) leitor (a), como este Blog já informou na publicação anterior, a nova ortografia proposta pelo Acordo Ortográfico tornou-se obrigatória desde o início do ano. Por ser o tema palpitante do momento, vamos retomá-lo nesta e nas publicações seguintes.
         A ortografia de toda e qualquer língua é correspondente à maneira correta de escrever as palavras pertencentes ao repertório linguístico de seus usuários. O critério para a definição do que é "correto" ou "errado", nesse caso, é claríssimo. A ortografia é uma norma, com valor de lei, não admitindo em absoluto variações ou opções individuais. Seu objetivo consiste em fixar uma maneira unificada de registrar por escrito os vocábulos da língua, que na sua realização oral são muito diversificadas. Por isso, é importante observar que a ortografia não é uma transcrição dos sons da fala, mas o resultado de um acordo social que estabeleceu uma forma de grafia autorizada para certo grupo linguístico. Portanto, trata-se de uma convenção.
         No caso de nossa língua, essa unificação aconteceu apenas na primeira metade do século passado, primeiro em Portugal e depois no Brasil. A norma ortográfica já passou por mudanças perpetradas por estudiosos do idioma, que identificaram a necessidade de determinados ajustes. Tal iniciativa costuma desagradar uma parcela dos usuários, que necessitam se acostumar à nova maneira de escrever certas palavras. Independente da sua legitimidade, faz-se necessário adaptar-se às mudanças.
         A ortografia da língua traz várias informações históricas sobre o povo que a utiliza. Além disso, aprender a grafar os vocábulos de acordo com essa norma não é uma atividade puramente reprodutiva, exigindo apenas memorização. Mesmo sem se dar conta, o falante da língua põe em prática diversos conhecimentos linguísticos ao escrever uma palavra segundo a ortografia de sua língua.
         Terminando a presente publicação, a todos os profissionais de ensino e estudantes, um ótimo retorno às atividades!  

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Ano VI - número 62 - janeiro/2016: Emprego das iniciais maiúsculas (II)

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: A nova ortografia da língua portuguesa tornou-se obrigatória no Brasil em 1º. de janeiro de 2016, após o período ampliado de adaptação, que expirou em 31 de dezembro de 2015. Ela foi oficializada pelo Acordo Ortográfico assinado em dezembro de 1990 pelos países lusófonos. Portanto, este Blog, sendo veículo fidedigno de assuntos pertinentes ao idioma pátrio, seguirá rigorosamente a ortografia oficial a partir da presente publicação.
         Prezado (a) leitor (a), eis o ano de 2016 que desponta, inaugurando a segunda metade da segunda década deste século XXI, sob o olhar do Criador. As instituições de ensino do Brasil, neste mês, com a maior parte de suas atividades paralisadas, estão em merecidas férias.
         Porém, o Blog de comentários não para e prossegue com as suas publicações mensais, retomando o assunto do emprego atualizado das iniciais maiúsculas em sua segunda e última parte.
6- nos nomes de artes, disciplinas, ciências, bem como nos nomes de instituições de ensino, profissionais, políticas e militares.
Arquitetura, Colégio Rio Branco, Escola Superior de Guerra, Física, Matemática, Ordem dos Advogados do Brasil, Partido Social Cristão, Pintura, Universidade de São Paulo
7- nos nomes de altos cargos, dignidades ou postos.
General, Ministro, Papa, Presidente da República
8- nos títulos de livros, jornais, revistas, ou quaisquer outros que designem criações do intelecto humano (artes, ciências).
Guernica, Jornal do Brasil, Sagarana, Teoria da Relatividade, Veja
9- nos nomes dos pontos cardeais, quando designam região.
A conquista do Oeste é tema frequente dos filmes americanos.
Quando esses nomes designarem direção ou limites geográficos, deverão ser grafados com inicial minúscula.
Percorri o país de norte a sul, de leste a oeste.
10- nos nomes comuns quando personificados ou individualizados. 
a Cigarra, a Formiga, a Razão, a Virtude, o Cordeiro, o Lobo
11- nos nomes de leis, decretos, atos, quando empregados em correspondência oficial.
Decreto-Lei nº. 5.515, Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei do Inquilinato
12- nas expressões de tratamento ou reverência, bem como nas palavras que se deseja realçar na correspondência.
estimado Professor, meu caro Colega, meu prezado Mestre, Sr. (Senhor), Sra. (Senhora), V. Exª. (Vossa Excelência).
         O Blog de comentários linguísticos, já no sexto ano de presença na rede mundial de computadores, propiciará diversos e interessantes assuntos para o conhecimento efetivo dos leitores. Estimo os votos de venturoso ano de 2016 e ótimo período de férias!