terça-feira, 11 de outubro de 2016

Ano VI - número 71 - outubro/2016: A situação atual da educação brasileira (II)

         Caro (a) leitor (a), chegamos mais uma vez ao mês de outubro, que, anualmente, é portador da data dedicada aos professores. A cada ano que passa, a conjuntura educacional brasileira se vê envolta em crescentes e gravíssimos problemas. Este Blog, mais uma vez, interrompe suas habituais publicações, para destacar o palpitante tema da preocupante situação da educação brasileira.
         Nos anos 1950/1960, pensava-se que bastaria dotar os professores de livros e de materiais pedagógicos novos. Mas, a realidade é que a excelência e a qualidade da educação estão ligadas fortemente à qualidade da formação docente. Outro fato é que aquilo que o professor pensa sobre o ensino determina o que ele faz quando ensina. 
         O desenvolvimento dos professores é uma condição imprescindível para o desenvolvimento da escola. Sem o docente, nenhuma reforma, inovação ou transformação irá perdurar. 
         Os professores devem ser considerados como sujeitos que, em atividade profissional, são levados a se envolver em situações formais de aprendizagem.
         Somente ocorrerão mudanças profundas quando a formação dos docentes deixar de ser um mero processo de atualização, executada de cima para baixo, e se converter em verdadeiro processo de aprendizagem, como um ganho individual e coletivo, e não como uma agressão. 
         Tal situação sombria da educação brasileira também é resultado de pouco engajamento e pressão por parte da população de um modo geral, contribuindo à lentidão. 
         Enquanto isso, a tão almejada meta de alfabetizar todas as crianças até os oito anos de idade está distante de ser atingida e ainda se carrega o peso de um baixo desempenho no IDEB. A meta do Brasil é de chegar a 6 no ano de 2022.
         Concluindo, resta-nos homenagear a todos os valorosos mestres do nosso Brasil, que são verdadeiros heróis em meio às gravíssimas dificuldades de toda ordem por que estão passando e abandonados irresponsavelmente pelo poder público constituído.
SALVE DIA 15 DE OUTUBRO: DIA DO PROFESSOR!         

sábado, 3 de setembro de 2016

Ano VI - número 70 - setembro/2016: O Acordo Ortográfico e sua polêmica (VIII)

         Prezado (a) leitor (a), prosseguimos, na presente publicação, com o tema da reforma ortográfica, pois a nova ortografia se tornou obrigatória em janeiro deste ano. Neste mês, trataremos sobre o Acordo Ortográfico e sua polêmica.
         Esse Acordo de unificação ortográfica, embora esteja sendo discutido agora, na verdade, possui suas raízes no início da década de 1990. O Acordo, desde aquela época, pretende a unificação da ortografia da língua portuguesa, e não da língua portuguesa. A língua é uma coisa viva, em constante mutação, que varia de acordo com a província, com os enunciados e necessidades dos falantes. E unificar a ortografia, diga-se de passagem, jamais foi tarefa fácil, mas é possível.
         Os países lusófonos decidiram unificar as formas de grafar os vocábulos que são grafados de maneira diferente em cada localidade. Somente foi alterado aquilo que diferia muito nas grafias e que não alteraria por demais a relação dos falantes com a língua portuguesa.
         Por isso, não é correto o argumento em que se afirma que não é uma unificação de verdade porque permite duas grafias, uma vez que elas passam a ser consideradas oficiais e o valor de ambas é unificado.
         Em termos reais, é muito difícil afirmar o número de palavras alteradas porque é impossível quantificar as palavras de um idioma. Os portugueses não admitem o Acordo porque desejam preservar a pureza da língua.
         Entretanto, o português falado no Brasil é muito mais parecido com o português que se falava no século XVI. Conclui-se que aqui o português é mais antigo e, portanto, a pureza é mais preservada por nós do que por eles. 
         Com o Acordo de unificação ortográfica, a legitimidade da língua estará com todos os países lusófonos, e não apenas com Portugal.
         Outra afirmação incorreta é a de que, com a retirada de alguns acentos, a reforma pretende tornar o português um idioma  mais jovem, mais moderno e mais próximo da língua utilizada pelos jovens nas redes sociais. Ora, quando o Acordo foi proposto, a Internet era muito pouco difundida e a inspiração não era essa. Não foi tal descompromisso dos jovens com as regras gramaticais que norteou o Acordo.
         A próxima publicação do Blog estará voltada aos mestres, no mês que lhes é dedicado. Oportunamente, retornaremos ao tema do Acordo Ortográfico e sua polêmica.   

sábado, 30 de julho de 2016

Ano VI - número 69 - agosto/2016: O Acordo Ortográfico, o hífen e o acento diferencial (VII)

         Assíduo (a) leitor (a), na presente publicação, concluiremos o tema da reforma ortográfica no que se refere ao emprego do hífen. Também veremos o acento diferencial na reforma ortográfica.
         No intuito da melhor compreensão sobre as regras específicas do emprego do hífen, vamos exemplificá-las através de grupos de palavras.
1. autoafirmação
2. contrassenso, corredator, antirroubo
3. preencher, pronome: Os elementos pre- e pro- átonos se aglutinam ao segundo elemento.
4. pré-histórico, pré-pago, pós-operatório: Os elementos pré- e pós- tônicos exigem hífen.
5. semi-integral, auto-observação, anti-inflamatório
6. sobre-humano: Quando o segundo elemento inicia com h, o hífen se mantém.
7. extracurricular
8. desumanizar, inabitual: Quando o primeiro elemento é des- ou in- e o segundo elemento inicia com h, os dois elementos se aglutinam e o h fica eliminado.
         Com relação ao acento diferencial, observemos as orações a seguir:
I. Ele não pôde evitar o atraso.
II. Não se pode dizer que ele não foi avisado.
As palavras em destaque nas orações I e II apresentam diferença sonora e semântica: pôde: timbre fechado, indica passado; pode: timbre aberto, indica presente.
I. Ela já passou por aqui.
II. Ele é a cara da mãe, sem tirar nem pôr.
Pôr: verbo, monossílabo tônico; por: preposição, monossílabo átono.
As palavras pôde e pôr são as únicas da língua portuguesa que recebem, atualmente, um acento denominado diferencial. Para indicar o pretérito perfeito do indicativo do verbo poder, com timbre fechado, e para diferenciar o infinitivo do verbo pôr da preposição por, deve-se utilizar o acento circunflexo.
          Na próxima publicação, de setembro, traremos mais considerações a respeito do tema da reforma ortográfica. Até o próximo mês!

sábado, 25 de junho de 2016

Ano VI - número 68 - julho/2016: O Acordo Ortográfico e o hífen (VI)

         Caro leitor, cara leitora, o tempo passou célere e já estamos no segundo semestre do ano de 2016, iniciando o mês de julho com o habitual período breve de recesso de todos os envolvidos no processo educativo.
         Prosseguimos, na atual publicação, com o tema da reforma ortográfica e novos exemplos de palavras, ilustrando as alterações referentes ao hífen.
         A seguir, uma lista de vinte palavras existentes na língua portuguesa a partir da união de dois elementos e grafadas de acordo com as regras ortográficas atualizadas:
1. agronegócios; 2. ex-rival; 3. biorritmo; 4. multinacional; 5. extra-humano; 6. antinacional; 7. fotografia; 8. autoestima; 9. micro-ônibus; 10. internacional; 11. hiper-realista; 12. anti-horário; 13. sobre-humano; 14. pós-romântico; 15. anti-higiênico; 16. inter-racial; 17. geografia; 18. anti-inflamatório; 19. telegrafia; 20. ultrarromântico.
         Agora, alguns títulos de notícia extraídos da Internet e adequados às novas regras:
1. Autosserviço em supermercado pode ser proibido
2. Morales se une ao projeto anti-imperialista de Venezuela e Cuba
3. Senado aprova MP que muda acesso a documentos ultrassecretos
4. Israel se preocupa com uma onda antissemita no mundo
5. Negada indenização por construção de autoestrada
6. Paraquedas reserva salva soldado em exibição a Jobim
7. Fórum pede a países ricos corresponsabilidade nas migrações
8. Rússia instala defesa antiaérea nas embaixadas
9. Campanha contra o câncer de mama dá ênfase ao autoexame
10. Saúva se 'associa' a micro-organismos para proteger a colônia
         Por fim, a enumeração de mais algumas palavras grafadas em consonância com as regras ortográficas obrigatórias: anti-infeccioso; suprarrenal; extraoficial; antirrugas; autossuficiente; semissólido; autoimune; extrasseco; anti-ibérico; semiárido.
         Na publicação do mês vindouro, este Blog encerrará o tema do hífen, mas prosseguirá com a reforma ortográfica. Para todos os envolvidos no processo educativo, ótimo e proveitoso período de recesso!     
 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ano VI - número 67 - junho/2016: O Acordo Ortográfico e o hífen (V)

         Amigo (a) leitor (a), o tema da reforma ortográfica concernente aos aspectos do emprego do hífen prossegue em mais esta publicação do Blog.
         No intuito de reforçar o que foi abordado na publicação anterior, vamos registrar mais um exemplo de palavra que se enquadra em cada uma das seis regras mencionadas, bem como exemplos de exceção.
Usa-se o hífen: 
1. anti-higiênico; exceção: desumidificar;
2. auto-observação; exceção: coordenar;
3. pré-natal; exceção: promover.
Não se usa o hífen:
1. girassol; 
2. minissaia; exceção: inter-regional;
3. coeducação.
         Na sequência, segue uma lista de palavras para a correta análise (confirmação da grafia ou correção, sempre em consonância com a reforma ortográfica):
- anteontem: grafada corretamente;
- ex-presidente: grafada corretamente;
- auto-escola: grafia correta: autoescola. Regra: Não existe hífen quando o primeiro elemento termina com vogal diferente daquela que começa o segundo elemento.
- contra-regra: grafia correta: contrarregra. Regra: Não existe regra especial para usar o hífen com os elementos contra-, anti- ou mini-. Além disso, o segundo elemento iniciado por r ou s deve ter essa consoante duplicada.
- mini-saia: grafia correta: minissaia;
- anti-social: grafia correta: antissocial;
- sem-número: grafada corretamente;
- microondas: grafia correta: micro-ondas. Regra: O hífen deve ser empregado quando o primeiro elemento termina com a mesma vogal com que começa o segundo elemento;
- intermunicipal: grafada corretamente;
- sub-raça: grafada corretamente;
- reedição: grafada corretamente;
- superaquecimento: grafada corretamente;
- recém-nascido: grafada corretamente;
- antiidade: grafia correta: anti-idade;
- cooptar: grafada corretamente;
- promover: grafada corretamente.
         Na publicação do próximo mês, este Blog veiculará mais palavras para fixação das novas regras ortográficas referentes à utilização do hífen. Até o mês vindouro!                     

domingo, 15 de maio de 2016

Ano VI - número 66 - maio/2016: O Acordo Ortográfico e o hífen (IV)

         Caro (a) leitor (a), continuamos, nesta publicação, a tratar sobre a reforma ortográfica, mais especificamente, no que se refere aos aspectos do emprego do hífen.
         Eis as mudanças estabelecidas em relação à utilização do hífen:
Usa-se o hífen:
1. nas palavras formadas por dois elementos em que o segundo inicia por h. Exemplos: pré-história, super-homem, sub-humano, semi-hospitalar. Exceção: Palavras formadas com os elementos des- e in- nas quais o segundo elemento perdeu o h inicial (nesses casos, escreve-se desumano, inábil, inumano).
2. nos vocábulos em que o primeiro elemento termina com a mesma vogal com que começa o segundo elemento. Exemplos: contra-almirante, micro-ondas. Exceção: Vocábulos iniciados pelos elementos co- e re-. Nesses casos, o hífen não é usado (cooperação, reescrita).
3. nos casos especiais que seguem: com os elementos circum- e pan- antes de m, n e vogal (além do h, que já foi mencionado acima); com os elementos pré-, pós- e pró-; com os elementos ex-, vice-, sota-, soto- e vizo-; com os elementos além-, aquém-, recém- e sem-. Exemplos: circum-navegação, pan-americano, pós-graduação, ex-presidente, vice-governador, além-mar, recém-nascido, sem-cerimônia. Exceção: Nas palavras em que os elementos pre, pos- e pro- não são tônicos. Nesses casos, não se utiliza hífen (prever, prorrogar, posfácio).
Não se usa o hífen:
1. em determinadas palavras compostas nas quais se perdeu a noção de composição. Exemplos: paraquedas, paraquedismo, mandachuva. Exceção: A maioria das palavras compostas permanece sendo grafada com hífen. É necessário verificar cada caso atentamente.
2. nos vocábulos em que o segundo elemento inicia com r ou s, devendo essas consoantes ser duplicadas. Exemplos:  antirreligioso, contrarregra, infrassom. Exceção: Quando o primeiro elemento do vocábulo termina com r, como hiper-, inter- e super-. Nesses casos, escreve-se hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.
3. nas palavras em que o primeiro elemento termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: extraescolar, aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem, antiaéreo, agroindustrial, hidroelétrica.
         Na publicação vindoura, teremos a continuação do tema da reforma ortográfica referente ao uso do hífen. Até o próximo mês!       

sábado, 9 de abril de 2016

Ano VI - número 65 - abril/2016: O Acordo Ortográfico, a acentuação gráfica e o hífen (III)

         Prezado leitor, cara leitora, nesta publicação, damos prosseguimento ao tema da reforma ortográfica no que se refere aos aspectos da acentuação gráfica, incluindo a introdução dos aspectos do emprego do hífen.
5. O u dos grupos que, qui, gue, gui recebia acento agudo quando era pronunciado e era a vogal tônica (em oposição ao trema utilizado quando o u era pronunciado, porém átono - como em seqüência). Com o Acordo, tanto esse acento quanto o trema deixaram de ser usados: Todos acham que é preciso averiguar a veracidade daquelas informações. Por isso querem que eu averigue pessoalmente no prazo de um mês. / Na próxima ocasião, outro professor vai arguir os candidatos, porque os que sempre arguem estão em licença. / É preciso apaziguar os ânimos. Sugerem que o senador apazigue com um discurso extra. / Não vai mais arguir as testemunhas o juiz que usualmente as argui. Observação: Embora o u tônico não leve mais acento, ele continua sendo pronunciado. O trema somente continua sendo usado em nomes próprios estrangeiros e seus derivados. 
6. Crianças que aprendem a ser determinadas têm mais facilidade na vida adulta: "A persistência é o caminho do êxito." A frase, dita por Charles Chaplin, parece resumir o sucesso do ator que se tornou uma referência do cinema mudo. Para pesquisadores da Universidade Brigham Young (EUA), no entanto, o trabalho árduo começa ainda na infância, dentro de casa. / Se o título da notícia iniciasse com "criança determinada", o verbo ficaria desta forma: tem. O título contém o verbo ter na terceira pessoa do plural do presente do indicativo, que apresenta acento circunflexo. Isso o diferencia da conjugação na terceira pessoa do singular: ele tem / eles têm. / "Crianças determinadas têm mais chance de sucesso." Se o verbo ter fosse substituído pelo verbo deter no presente, teríamos: "Crianças determinadas detêm mais chance de sucesso." A regra de acentuação para as palavras tem / têm e vem / vêm (e as formas verbais equivalentes dos verbos derivados de ter e vir) não foi alterada.
         Dentre as alterações propostas pelo Acordo Ortográfico, nenhuma causou tamanha polêmica quanto a utilização do hífen. Entretanto, apesar das dificuldades, a proposta teve como critério a simplificação.
         Na próxima publicação, teremos a oportunidade de recordar as mudanças estabelecidas pela reforma ortográfica em relação ao uso do hífen. Até o próximo mês!