Comentários abalizados e críticos sobre assuntos da língua portuguesa.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
sábado, 31 de janeiro de 2015
Ano V - número 51 - fevereiro/2015: Forma, grafia e significado de palavras e expressões (V)
O segundo mês do ano assinala, na maioria das instituições de ensino brasileiras, o início de mais um ano letivo. Em 2015, assinala também o feriado de Carnaval e o curto período de recesso.
Caro (a) leitor (a), prosseguimos com a abordagem de mais algumas palavras e expressões idiomáticas da língua portuguesa e sua correta utilização.
14- "Por que", "por quê", "porque", "porquê". Como empregar corretamente cada um deles?
A forma por que constitui a seqüência de uma preposição (por) e um pronome interrogativo (que). É uma expressão que equivale a "por qual razão", "por qual motivo": Por que você raciocina assim? / Preciso saber por que você raciocina assim. / Não sei por que você pensa isso. Caso apareça no final de uma frase, imediatamente antes de um ponto (final, de interrogação, de exclamação) ou de reticências, a seqüência deve ser escrita por quê, pois o monossílabo que se torna tônico: _ Ainda não encerrou? Por quê? / _ Você tem coragem de perguntar por quê?! Existem casos em que por que representa a seqüência preposição + pronome relativo, equivalendo a "pelo qual" (ou alguma de suas flexões: pela qual, pelos quais, pelas quais). Em outros contextos, por que equivale a "para que": Estas são as reivindicações por que estamos lutando. / A ponte por que deveríamos passar desabou ontem. / Lutamos por que um dia o Brasil seja melhor. Já a forma porque é uma conjunção, equivalendo a "pois", "uma vez que", "já que", "como": A situação se agravou porque muitas pessoas se omitiram. / Sei que há algo errado porque ninguém compareceu até agora. / Continuas implicando comigo! É porque discordo de ti? Porque também pode indicar finalidade, equivalendo a "para que", "a fim de". Porém, no português atual, é muito pouco usual: Não julgue porque não o julguem. A forma porquê constitui um substantivo. Significa causa, razão, motivo e normalmente aparece acompanhada de uma palavra determinante (um artigo, por exemplo). Sendo substantivo, pode ser colocado no plural: Não é fácil encontrar o porquê de toda esta situação. / Creio que os verdadeiros porquês não foram revelados. Ao se referir à palavra em si, não se acentua, justamente porque a palavra a que se faz referência não possui o acento. Observe: Não encontrei nenhum porque no livro inteiro.
15- Qual a diferença entre as expressões "ao invés de" e "em vez de"?
Ao invés de significa "ao contrário de": Ao invés do que previu a meteorologia, não choveu hoje. Em vez de significa "no lugar de": Em vez de jogar futebol, preferimos ir ao teatro.
Concluindo a publicação, só resta estimar a todos os profissionais da educação e estudantes um bom retorno às atividades!
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Ano V - número 50 - janeiro/2015: Forma, grafia e significado de palavras e expressões (IV)
Estimado (a) leitor (a), 2015, novo ano e novo tempo despontam em nossa existência como bênção do Criador. E, neste primeiro mês, abre-se, nas instituições de ensino, o costumeiro período de férias para professores e estudantes.
Retomamos, nesta publicação e, posteriormente, nas seguintes, a abordagem sobre as palavras e expressões idiomáticas que podem trazer dúvida na sua utilização.
11- "Senão" e "se não": Como diferenciar o uso?
Senão equivale a "caso contrário" ou "a não ser": É bom que ele colabore, senão não haverá como ajudá-lo. / Não fazia coisa alguma senão discutir. Se não aparece em orações subordinadas condicionais. Equivale a "caso não": Se não houver aula, iremos ao cinema.
12- "Na medida em que" e "à medida que" são expressões com usos diversos. Correto?
Exatamente. Na medida em que exprime uma relação de causa, equivalendo a "porque", "já que", "uma vez que": Na medida em que os projetos foram abandonados, a população menos favorecida ficou entregue à própria sorte. À medida que dá idéia de proporção, desenvolvimento simultâneo e gradual, equivalendo a "à proporção que": A ansiedade aumentava à medida que o prazo ia terminando.
13- "Que" e "quê": Em quais situações utilizar?
Observe bem: que, dependendo do contexto, pode ser pronome, conjunção, advérbio ou partícula expletiva. Sendo monossílabo átono, não é acentuado: (O) Que você deseja? / Você me pergunta (o) que farei. / Que bela atitude! / Convém que o assunto seja discutido hoje. / Quase que me esqueço desse detalhe. Já quê constitui um monossílabo tônico e, por isso, leva acento. Ocorre quando um pronome se localiza no final da frase, imediatamente antes de um ponto (final, de interrogação ou de exclamação) ou de reticências, ou quando quê é um substantivo (com o sentido de "alguma coisa" ou "certa coisa") ou uma interjeição (indicando surpresa, espanto): Afinal, você compareceu aqui para fazer o quê? / Você necessita de quê? / Existe um quê suspeito em sua atitude. / Quê! Você conseguiu chegar mais cedo?!
14- "Por que", "por quê", "porque", "porquê". Como empregar corretamente cada um deles?
Na próxima publicação do blog, esclareceremos detalhadamente a respeito.
O ano de 2015, apenas iniciando, será repleto de conhecimentos de nossa língua para o (a) assíduo (a) internauta leitor (a) deste blog. Próspero ano novo e proveitoso período de férias!
sábado, 29 de novembro de 2014
Ano V - número 49 - dezembro/2014 - * edição especial * : Quarto aniversário e um ano de reinauguração
Prezado leitor, cara leitora, em sua constante e fiel companhia, o BLOG PROF. STEFAN - LÍNGUA PORTUGUESA - COMENTÁRIOS celebra, neste mês, com imenso regozijo, o primeiro ano de sua reinauguração. Ao mesmo tempo, recorda com grata satisfação os seus primórdios, quando era designado BLOG PROF. STEFAN - LÍNGUA PORTUGUESA, e comemora o seu quarto aniversário.
Neste clima festivo, visando ao sempre crescente conhecimento do (a) internauta leitor (a) deste blog no que se refere ao nosso idioma materno, apresento um texto que trata da história da língua portuguesa no Brasil. Convido-o (a) a ler com muita atenção.
O Brasil foi descoberto por Portugal no ano de 1500 e, desde então, com a grande presença dos portugueses nos territórios brasileiros, a língua portuguesa foi se enraizando, enquanto as línguas indígenas foram aos poucos desaparecendo. Uma delas, talvez a que mais influenciou o atual português falado no Brasil, era o tupinambá ou tupi-guarani, falado pelos índios que habitavam o litoral. Esta língua foi a primeira utilizada como língua geral na colônia, ao lado do português, pois os padres jesuítas vieram para catequizar os índios, estudaram e acabaram difundindo a língua.
No ano de 1757, uma Provisão Real proibiu a utilização do tupi, época esta em que o português já suplantava essa língua, ficando ele, o português, com o título de idioma oficial. Em 1759, os jesuítas foram expulsos e, a partir de então, a língua portuguesa se tornou definitivamente a língua oficial do Brasil.
A língua portuguesa falada no Brasil herdou, no entanto, um vasto vocabulário das línguas indígenas, principalmente no que diz respeito às denominações da fauna, flora e demais palavras relacionadas à natureza.
Os portugueses trouxeram, então, muitos escravos capturados na África para trabalhar nas terras brasileiras, e estes vieram falando diversos dialetos, os quais contribuíram para a construção da nossa língua. Muito do que temos hoje foi herdado das línguas africanas, bem como itens culturais que vieram junto com os escravos e aqui se instalaram.
Deste modo, a língua portuguesa falada no Brasil foi se distanciando da língua portuguesa falada em Portugal, pois enquanto aqui a língua recebia as influências dos índios (nativos) e dos imigrantes africanos, em Portugal, a língua recebia influência do francês, principalmente devido à cultura, educação etc., que na época eram prestigiadas na França.
Quando a família real veio para o Brasil, entre 1808 e 1821, as duas línguas novamente se aproximaram, pois devido à grande quantidade de portugueses nas grandes cidades, a língua foi sofrendo novamente a influência dos mesmos e se parecendo com a língua-mãe.
O português brasileiro sofreu ainda influências dos espanhóis, holandeses e demais países europeus que invadiram o Brasil após a independência (1822). Isso explica o porquê de algumas diferenças de vocabulário e/ou sotaque existentes entre algumas regiões do Brasil.
Com a influência do Romantismo (movimento artístico-literário que aconteceu no início do século XIX), a literatura produzida no Brasil se intensificou, e a língua portuguesa falada no Brasil foi se encorpando e ganhando uma nova forma, diferenciando-se ainda mais da língua portuguesa falada em Portugal. Foi despertado no país o individualismo e o nacionalismo através da literatura, além da realidade política que impulsionava o país a se distanciar e diferenciar ainda mais de Portugal.
A normatização da língua foi como que consagrada pelo movimento modernista de 1922, que trouxe como crítica a valorização excessiva que ainda se dava à cultura européia e motivou o povo a valorizar sua própria língua como "brasileira".
Recentemente tivemos uma reforma ortográfica, implantada no ano de 2009, a partir de um acordo feito entre os países que têm como idioma oficial a língua portuguesa. Algumas regras de escrita que diferenciavam a norma foram modificadas, deixando-a unificada. A oralidade, porém, continua mantendo consideráveis distinções. (Extraído e adaptado de www.infoescola.com)
Concluo, augurando a todos os internautas leitores deste blog um excelente final de ano e abençoado Natal!
sábado, 1 de novembro de 2014
Ano IV - número 48 - novembro/2014: Forma, grafia e significado de palavras e expressões (III)
Estimado (a) leitor (a), após uma breve pausa, prosseguimos, neste mês, abordando sobre as palavras e expressões de nosso idioma.
8- Como deve ser aplicado o uso de "acerca de" e "há cerca de"?
Veja bem a distinção: acerca de significa "sobre", "a respeito de": Haverá uma palestra acerca das conseqüências das queimadas. Há cerca de indica um período aproximado de tempo já transcorrido: Os primeiros colonizadores apareceram há cerca de quinhentos anos.
9- E quanto a "afim" e "a fim"? Junto ou separado?
É preciso saber diferenciar: Afim é adjetivo e significa "igual", "semelhante". Relaciona-se com a idéia de afinidade: Tiveram opiniões afins durante o trabalho. / São espíritos afins. A fim aparece na locução a fim de, que significa "para" e indica uma idéia de finalidade: Trouxe alguns chocolates a fim de nos agradar.
10- Há dúvida também em "demais" e "de mais". Junto ou separado?
É muito comum utilizar somente a primeira forma. Demais pode ser advérbio de intensidade com o sentido de "muito", intensificando verbos, adjetivos ou outros advérbios: Aborreceram-nos demais: isso nos deixou indignados demais. / Estou até bem demais! Demais também pode ser pronome indefinido, equivalendo a "outros", "restantes": Não coma todo o bolo! Deixe um pouco para os demais. Já de mais se opõe a de menos. Refere-se sempre a um substantivo ou pronome: Não vejo nada de mais em sua atitude! / O concurso foi suspenso porque surgiram candidatos de mais.
O mês de dezembro traz à lembrança os primórdios deste blog. Portanto, a próxima publicação será especial, em comemoração alusiva ao seu quarto aniversário. Internautas leitores (as), até a próxima publicação!
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Ano IV - número 47 - outubro/2014: Retrato real da situação do professor brasileiro
Caro (a) leitor (a), o mês de outubro sempre traz à nossa memória a expressiva figura do mestre por causa de sua data alusiva, no dia 15. Todos que freqüentaram a escola e a universidade e concluíram os seus estudos são devedores de gratidão a esse profissional, cuja função está no fundamento e sustém todas as funções e profissões da sociedade.
Entretanto, a realidade por que atravessa o professor brasileiro na atual conjuntura é gravíssima e sombria. Nas linhas seguintes, uma radiografia da sua situação que serve de alerta e apelo ao poder público e à sociedade para a urgente transformação dessa triste realidade.
Todos sabemos que, há muitos anos, a educação no Brasil passa por uma crise seriíssima. Muitos, sobretudo os governantes, atribuem a baixa qualidade do ensino à deficiência do professor. Porém, as verdadeiras causas são outras.
Há todo um contexto que justifica o desempenho pouco eficiente do trabalho do professor. Ei-lo:
- exaustão pela sobrecarga de atividades que a função requer; o excesso de tarefas causa esgotamento físico e intelectual;
- sistema de ensino extremamente burocrático adotado no Brasil, fazendo com que o professor fique repleto de um arsenal de burocracias: diários de classe, planos de aula, fichas avaliativas, formulários, entre outros; além disso, a quantidade imensa de trabalho levada para ser cumprida em casa: elaboração de provas, trabalhos, correções, projetos etc.;
- enfrentamento do problema da indisciplina escolar na maioria das escolas brasileiras, com excesso de conversa, baderna e uso indevido e abusivo de aparelhos eletrônicos;
- baixo salário, cuja defasagem é incompatível com tanto trabalho realizado fora da escola em finais de semana e feriados;
- diversos tipos de violência infligidos ao professor em sala de aula: violência verbal ou assédio moral, violência moral; pressões e perseguições por parte da coordenação por melhorias de notas.
Portanto, esse conjunto de situações influencia grandemente na qualidade de vida e no trabalho do docente. É comum milhares e milhares de professores adquirirem, com o tempo, todos os tipos de doenças relacionadas ao estresse e à depressão.
Concluindo, antes de culpar o professor, é preciso verificar e muito bem o que provoca as suas limitações profissionais. PROFESSOR (A), PARABÉNS PELO SEU DIA!
domingo, 31 de agosto de 2014
Ano IV - número 46 - setembro/2014: Forma, grafia e significado de palavras e expressões (II)
Caro (a) leitor (a), no intuito de auxiliá-lo (a) nas suas dúvidas, que podem surgir em qualquer momento, este blog está dedicando diversas publicações, explanando e comentando a respeito das palavras e expressões da língua portuguesa.
4- Mal/mau: dupla de palavras que causam dúvidas.
É preciso estar sempre atento (a) ao seguinte: Mal pode ser advérbio ou substantivo. Como advérbio, possui o significado de "irregularmente", "erradamente", "de forma inconveniente" e opõe-se a bem. Veja: Era previsível que ele se comportaria mal. Era evidente que ele estava mal-intencionado porque suas opiniões haviam repercutido mal na última reunião. Já como substantivo, mal pode significar "doença", "moléstia"; em certos casos, significa "aquilo que é nocivo e prejudicial". Observe os exemplos: A febre amarela é um mal que atormenta as populações pobres. / O mal é que não se toma nenhuma atitude. O substantivo mal pode designar também um conceito moral, vinculado à idéia de maldade. Com esse sentido, o vocábulo também se opõe a bem: O mal não compensa. Mau é adjetivo e significa "ruim", "de índole má", "de qualidade má". Opõe-se a bom e possui a forma feminina má: Não é mau sujeito. / Trata-se de um mau administrador. / Tem um coração mau.
5- A expressão correta é "a par" ou "ao par"?
Existem as duas expressões. Depende do sentido e do contexto. A par tem o sentido de "bem-informado", "ciente": Mantenha-me a par de tudo o que ocorrer. / É fundamental manter-se a par das decisões tomadas. Ao par é utilizada para indicar relação de equivalência ou igualdade entre valores financeiros (geralmente em operações cambiais): As moedas fortes mantêm o câmbio praticamente ao par.
6- Freqüentemente, os usuários da língua utilizam "de encontro a" em vez de "ao encontro de".
Isso é fato. Observe a distinção: Ao encontro de indica "ser favorável a", "aproximar-se de": Sua posição veio ao encontro da minha. / Quando a viu, foi ao seu encontro e abraçou-a. De encontro a indica oposição, choque, colisão. Observe: Suas opiniões sempre vieram de encontro às minhas: pertencemos a mundos diferentes. / O trator foi de encontro ao muro, derrubando-o.
7- E na expressão de tempo? Será "a" ou "há"?
Veja bem para não confundir: O verbo haver é usado em expressões que indicam tempo decorrido: Os fatos ocorreram há vinte anos. Nesse sentido, corresponde ao verbo fazer: Tudo ocorreu faz vinte anos. A preposição a surge em expressões em que não é possível a substituição pelo verbo fazer: O lançamento do satélite acontecerá daqui a uma semana. / Eles partiriam dali a três horas.
Oportunamente, este blog voltará a abordar sobre as palavras e expressões de nosso idioma com os devidos esclarecimentos que se fazem necessários. N
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