Comentários abalizados e críticos sobre assuntos da língua portuguesa.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
Blog Prof. Stefan - Língua Portuguesa - Comentários: Ano VIII - número 87 - fevereiro/2018: A utilizaçã...
Blog Prof. Stefan - Língua Portuguesa - Comentários: Ano VIII - número 87 - fevereiro/2018: A utilizaçã...: O segundo mês de 2018, o mais breve, chega, trazendo, dentro de poucos dias, o feriado de Carnaval, o término do período de recess...
Ano VIII - número 87 - fevereiro/2018: A utilização da língua padrão e sua ênfase (XII)
O segundo mês de 2018, o mais breve, chega, trazendo, dentro de poucos dias, o feriado de Carnaval, o término do período de recesso e o início das atividades e do ano letivo na maioria das instituições de ensino brasileiras.
Na presente publicação, continuamos com novos esclarecimentos relacionados às frequentes dúvidas dos assuntos da língua padrão.
18. Ir "de a pé" ao estádio. Está correta essa frase?
De maneira alguma. É incorreto, nesse caso, utilizar seguidamente duas preposições. Não se deve fazer analogia com quem vai "de carro" ao estádio. O correto é: Ir a pé ao estádio.
19. Dentre é uma preposição?
Trata-se de uma contração da preposição de com a preposição entre. Diversas vezes, entre e dentre são usados, um pelo outro, indistintamente e sem problema nenhum. Exemplo: Uberlândia é a cidade que mais se desenvolveu entre (ou dentre) as cidades de Minas Gerais.
20. E e nem são conjunções coordenativas. Portanto, usá-las juntas está incorreto?
Se nem for de fato conjunção coordenativa, está incorreto. Não existe necessidade alguma de usar duas conjunções coordenativas aditivas ligando orações. Observe: O rapaz não fala nem ouve. (Incorreto: O rapaz não fala e nem ouve.) Nesse caso, a primeira oração sempre traz um advérbio de negação (não). Na frase seguinte, entretanto, nem é advérbio de negação, e não conjunção, e a primeira oração não traz advérbio de negação: Ela chegou e nem me avisou. (Incorreto: Ela chegou nem me avisou.)
21. Como é chamada a frase que não possui verbo?
Chama-se nominal. Exemplos: Socorro!, Fogo!, Abaixo os corruptos! / Essas frases vêm acompanhadas de uma melodia, de uma entonação própria, indicadas na escrita pelo ponto de exclamação.
22. O verbo da oração "Fui ao supermercado." é transitivo indireto?
Não, o verbo ir é intransitivo. Existem determinados verbos intransitivos que exigem um adjunto adverbial de lugar, sem o qual não quase não são utilizados. Entre eles, podemos citar, além do verbo ir, os verbos chegar, voltar, sair, levar, subir etc. Os verbos transitivos indiretos são localizados da seguinte maneira: quem precisa, precisa de alguma coisa; quem gosta, gosta de alguma coisa. Já os verbos intransitivos usados com um adjunto adverbial de lugar são localizados da mesma maneira, no entanto: quem vai, vai a algum lugar.
23. Para localizar o sujeito, que pergunta se deve fazer antes do verbo?
Antes de localizar o sujeito, ninguém sabe se é coisa ou pessoa. Por isso, convém fazer as seguintes perguntas: o quê? (para coisa) e quem? (para pessoa).
24. Qual a diferença entre a oração coordenada sindética explicativa e a oração subordinada adverbial causal?
A oração subordinada adverbial causal sempre contém a noção de causa de algo revelado na oração principal, que traz a noção de efeito. Essas noções não estão presentes no período composto por coordenação. Exemplos: Lurdinha chorou porque levou uma surra. Trata-se de uma oração subordinada adverbial causal, pois a surra foi indubitavelmente a causa do choro de Lurdinha, que é o efeito. / Lurdinha chorou porque seus olhos estão vermelhos. Trata-se de uma oração coordenada sindética explicativa, pois a oração contém a explicação daquilo que foi revelado na oração coordenada assindética. Não há relação de causa e efeito: o fato de os olhos de Lurdinha estarem vermelhos não é causa de ela ter chorado.
Encerrando mais esta publicação, a todos os profissionais de ensino e alunos, ótimo retorno às suas atividades!
19. Dentre é uma preposição?
Trata-se de uma contração da preposição de com a preposição entre. Diversas vezes, entre e dentre são usados, um pelo outro, indistintamente e sem problema nenhum. Exemplo: Uberlândia é a cidade que mais se desenvolveu entre (ou dentre) as cidades de Minas Gerais.
20. E e nem são conjunções coordenativas. Portanto, usá-las juntas está incorreto?
Se nem for de fato conjunção coordenativa, está incorreto. Não existe necessidade alguma de usar duas conjunções coordenativas aditivas ligando orações. Observe: O rapaz não fala nem ouve. (Incorreto: O rapaz não fala e nem ouve.) Nesse caso, a primeira oração sempre traz um advérbio de negação (não). Na frase seguinte, entretanto, nem é advérbio de negação, e não conjunção, e a primeira oração não traz advérbio de negação: Ela chegou e nem me avisou. (Incorreto: Ela chegou nem me avisou.)
21. Como é chamada a frase que não possui verbo?
Chama-se nominal. Exemplos: Socorro!, Fogo!, Abaixo os corruptos! / Essas frases vêm acompanhadas de uma melodia, de uma entonação própria, indicadas na escrita pelo ponto de exclamação.
22. O verbo da oração "Fui ao supermercado." é transitivo indireto?
Não, o verbo ir é intransitivo. Existem determinados verbos intransitivos que exigem um adjunto adverbial de lugar, sem o qual não quase não são utilizados. Entre eles, podemos citar, além do verbo ir, os verbos chegar, voltar, sair, levar, subir etc. Os verbos transitivos indiretos são localizados da seguinte maneira: quem precisa, precisa de alguma coisa; quem gosta, gosta de alguma coisa. Já os verbos intransitivos usados com um adjunto adverbial de lugar são localizados da mesma maneira, no entanto: quem vai, vai a algum lugar.
23. Para localizar o sujeito, que pergunta se deve fazer antes do verbo?
Antes de localizar o sujeito, ninguém sabe se é coisa ou pessoa. Por isso, convém fazer as seguintes perguntas: o quê? (para coisa) e quem? (para pessoa).
24. Qual a diferença entre a oração coordenada sindética explicativa e a oração subordinada adverbial causal?
A oração subordinada adverbial causal sempre contém a noção de causa de algo revelado na oração principal, que traz a noção de efeito. Essas noções não estão presentes no período composto por coordenação. Exemplos: Lurdinha chorou porque levou uma surra. Trata-se de uma oração subordinada adverbial causal, pois a surra foi indubitavelmente a causa do choro de Lurdinha, que é o efeito. / Lurdinha chorou porque seus olhos estão vermelhos. Trata-se de uma oração coordenada sindética explicativa, pois a oração contém a explicação daquilo que foi revelado na oração coordenada assindética. Não há relação de causa e efeito: o fato de os olhos de Lurdinha estarem vermelhos não é causa de ela ter chorado.
Encerrando mais esta publicação, a todos os profissionais de ensino e alunos, ótimo retorno às suas atividades!
domingo, 7 de janeiro de 2018
Ano VIII - número 86 - janeiro/2018: A utilização da língua padrão e sua ênfase (XI)
Caro (a) leitor (a), desponta um novo tempo, um novo ano, 2018. Estamos já nos aproximando do final da segunda década deste século. E janeiro, costumeiramente, é o mês das férias e o período de folga nas instituições de ensino do Brasil.
Durante este ano, neste Blog de comentários, o tema da língua padrão será destaque novamente com os devidos esclarecimentos às dúvidas apresentadas dos mais diversos assuntos.
14. Em que situações devo usar os pronomes demonstrativos este e esse?
A sua utilização é simples. Basta prestar atenção. Este (e suas variações: estes, esta, estas) e isto devem ser usados sobretudo: a) referindo-se a seres que se localizam perto do falante, isto é, da primeira pessoa: Este livro que tenho nas mãos é muito bom! / Isto que carregamos pesa bastante. b) referindo-se ao lugar em que o falante está: Este bairro é muito inseguro. c) referindo-se ao que está em nós ou ao que nos abrange fisicamente: Este coração já bate há mais de quarenta anos. / Esta alma não traz pecado. d) referindo-se a um momento presente ou que não passou ainda: Este ano está passando muito rápido. / Neste século, ainda não ocorreram guerras mundiais. e) referindo-se ao que se vai dizer: Acabo de receber estas mercadorias: ventiladores, rádios, batedeiras. / Só lhe posso afirmar isto: tenha confiança. Esse (e suas variações: esses, essa, essas) e isso devem ser usados sobretudo: a) referindo-se a seres que se localizam longe do falante e perto do ouvinte: Esse livro que tens nas mãos é muito bom! / Isso que você carrega pesa bastante. b) referindo-se ao lugar onde o ouvinte está: Esse bairro onde moras é inseguro. c) referindo-se ao que está na segunda pessoa ou ao que a abrange fisicamente: Esse coração já está cansado, portanto cuide bem dele! / Alemanha: esse é o país onde iremos residir. d) referindo-se ao que já foi mencionado: Natação e voleibol: são essas as modalidades esportivas praticadas aqui. / Fugir aos problemas? Isso não é de meu feitio.
15. O pronome indefinido algum pode ter sentido negativo?
Sim. Sempre que ele estiver após o substantivo, confere-lhe sentido negativo. Nesse caso, passa a ter valor de nenhum. Exemplos: Não tenho dinheiro algum. / Não vi coisa alguma.
16. As perguntas: Que que é isso?! ou Que que ele fez?!, ou seja, usando dois quês juntos, estão corretas?
Sim, estão. O segundo que é utilizado como palavra de realce, para dar força à comunicação. Na verdade, aí existe a locução de realce é que, reduzida apenas para que: Que é que é isso?! / Que é que ele fez?!
17. Em que situação devo usar o pronome relativo que?
Referindo-se a coisas ou a pessoas: A casa que comprei é nova. / A pessoa que veio aqui é conhecida.
O Blog de comentários linguísticos, em seu oitavo ano, será novamente eficiente veículo de ricos conhecimentos e comentários abalizados. A todos (as) os (as) internautas leitores (as), ótimo ano de 2018!
15. O pronome indefinido algum pode ter sentido negativo?
Sim. Sempre que ele estiver após o substantivo, confere-lhe sentido negativo. Nesse caso, passa a ter valor de nenhum. Exemplos: Não tenho dinheiro algum. / Não vi coisa alguma.
16. As perguntas: Que que é isso?! ou Que que ele fez?!, ou seja, usando dois quês juntos, estão corretas?
Sim, estão. O segundo que é utilizado como palavra de realce, para dar força à comunicação. Na verdade, aí existe a locução de realce é que, reduzida apenas para que: Que é que é isso?! / Que é que ele fez?!
17. Em que situação devo usar o pronome relativo que?
Referindo-se a coisas ou a pessoas: A casa que comprei é nova. / A pessoa que veio aqui é conhecida.
O Blog de comentários linguísticos, em seu oitavo ano, será novamente eficiente veículo de ricos conhecimentos e comentários abalizados. A todos (as) os (as) internautas leitores (as), ótimo ano de 2018!
sábado, 2 de dezembro de 2017
Ano VIII - número 85 - dezembro/2017 - *edição especial*: Sétimo aniversário do Blog de Comentários
Estimado (a) e assíduo (a) leitor (a), o último mês de cada ano é marcante para este Blog, recordando os seus primórdios. Comemoramos o seu sétimo aniversário e o quarto ano de sua reinauguração na rede mundial de computadores.
O BLOG PROF. STEFAN - LÍNGUA PORTUGUESA - COMENTÁRIOS, em clima de imensa alegria, novamente presenteia os seus assíduos leitores. Um artigo especialmente selecionado, que trata a respeito do uso da tecnologia no ensino da língua portuguesa, um tema bastante atual.
A expansão da informática que temos vivenciado nestas duas últimas décadas tem sido responsável por transformações significativas nos setores de trabalho e nas relações humanas, chegando também a influenciar o estudo, o aprendizado e o aperfeiçoamento da Língua Portuguesa.
Com o fácil acesso aos computadores e à Internet, foi aberta uma nova dimensão para a introdução de novas tecnologias no processo ensino-aprendizagem, principalmente no que diz respeito a softwares e atividades que possibilitem um alto grau de interatividade por parte dos aprendizes. Isso traz uma série de vantagens, como: facilitar o esclarecimento de dúvidas e diminuir o isolamento dos alunos com vistas a favorecer a obtenção de informações sobre seu aproveitamento, motivando-os para o aprendizado.
O bom uso e a exploração das tecnologias como ferramenta auxiliar ao ensino de Língua Portuguesa auxiliam muito na aquisição de novos conhecimentos dos alunos e complementam a prática pedagógica da sala de aula.
O papel do professor no processo de ensino da Língua Portuguesa é introduzir no ambiente dos alunos elementos capazes de provocar uma situação conflitual que poderá levá-los a aprender, dependendo do modo que agirão a partir desse conflito. A ação pedagógica deve caracterizar-se por atividades didáticas que auxiliem os alunos a se apropriarem do saber e não apenas a recebê-lo, pois receber não implica necessariamente em aprender.
O uso da informática na Língua Portuguesa passa a ser uma ciência em que há a busca pela descrição, pela explicitação, pela análise e decomposição dos comportamentos inteligentes em pequenos módulos. O ensino pode ser considerado como sendo mais do que uma simples ferramenta de transmissão de conhecimentos. (Extraído e adaptado de www.joseferreira.com.br)
Finalizando, para todos os internautas leitores deste Blog aniversariante, os mais expressivos votos de feliz e santo Natal!
Finalizando, para todos os internautas leitores deste Blog aniversariante, os mais expressivos votos de feliz e santo Natal!
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Ano VII - número 84 - novembro/2017: A utilização da língua padrão e sua ênfase (X)
Caro leitor, estimada leitora, nesta publicação, retomamos o tema da língua padrão e damos continuidade aos esclarecimentos das dúvidas a respeito dos mais variados assuntos.
7. A forma "menas" existe ou não?
Não. Existe somente a forma menos (invariável). Exemplos: Hoje houve menos aulas que ontem. / Hoje veio menos gente que ontem.
8. Está correto "cidadões" como plural de "cidadão"?
Não, de forma alguma. O plural do substantivo cidadão é cidadãos.
9. "Casona" pode ser utilizada como aumentativo de "casa"?
Só se for fora da norma-culta, numa língua falada despretensiosa, dirigida às crianças. Porém, na língua escrita, deve-se utilizar casarão. O mesmo vale para "homão". O aumentativo correto de homem é homenzarrão.
10. Por que infravermelho varia no plural, porém ultravioleta não varia?
Porque em infravermelho, não há nenhum elemento que seja substantivo (infra=prefixo; vermelho=adjetivo). Já em ultravioleta, há um elemento substantivo (ultra=prefixo; violeta=substantivo). Todo substantivo que funciona como adjetivo, indicando cor, não apresenta variação. Observe que esses adjetivos são simples, e não compostos.
11. Ambos é um numeral?
Exatamente. Trata-se de um numeral dual porque se refere sempre a dois seres. Não dispensa a utilização do artigo definido quando o substantivo seguinte o exige. Exemplos: Ambos os alunos passaram. / Ambas as alunas saíram.
12. Qual o pronome de tratamento correto que deve ser usado na carta dirigida ao presidente da República?
Vossa Excelência. Sempre escrito por extenso porque é mais respeitoso. Na invocação, deve-se utilizar Excelentíssimo Senhor Presidente da República.
13. Está correta a afirmação: "Machuquei o 'meu' dedo."?
Não. Não há necessidade de utilizar o pronome possessivo nesse caso. Dizendo apenas "Machuquei o dedo.", o interlocutor já compreende de que dedo se trata. Portanto, a regra é a seguinte: Antes de substantivos que indicam partes do corpo, peças do vestuário e faculdades do espírito, é dispensado o pronome possessivo, quando há coincidência de pessoas (sujeito e pronome). O artigo definido, nesse caso, já confere ideia de posse. Outros exemplos: Vou escovar os dentes. / Não abri a boca. / Você já lavou as mãos? / Juçara sujou a blusa.
A próxima publicação deste Blog de comentários será festiva, celebrando o sétimo aniversário de presença na rede mundial de computadores. Oportunamente retomaremos o tema da língua padrão e os esclarecimentos das inúmeras dúvidas a ela referentes.
8. Está correto "cidadões" como plural de "cidadão"?
Não, de forma alguma. O plural do substantivo cidadão é cidadãos.
9. "Casona" pode ser utilizada como aumentativo de "casa"?
Só se for fora da norma-culta, numa língua falada despretensiosa, dirigida às crianças. Porém, na língua escrita, deve-se utilizar casarão. O mesmo vale para "homão". O aumentativo correto de homem é homenzarrão.
10. Por que infravermelho varia no plural, porém ultravioleta não varia?
Porque em infravermelho, não há nenhum elemento que seja substantivo (infra=prefixo; vermelho=adjetivo). Já em ultravioleta, há um elemento substantivo (ultra=prefixo; violeta=substantivo). Todo substantivo que funciona como adjetivo, indicando cor, não apresenta variação. Observe que esses adjetivos são simples, e não compostos.
11. Ambos é um numeral?
Exatamente. Trata-se de um numeral dual porque se refere sempre a dois seres. Não dispensa a utilização do artigo definido quando o substantivo seguinte o exige. Exemplos: Ambos os alunos passaram. / Ambas as alunas saíram.
12. Qual o pronome de tratamento correto que deve ser usado na carta dirigida ao presidente da República?
Vossa Excelência. Sempre escrito por extenso porque é mais respeitoso. Na invocação, deve-se utilizar Excelentíssimo Senhor Presidente da República.
13. Está correta a afirmação: "Machuquei o 'meu' dedo."?
Não. Não há necessidade de utilizar o pronome possessivo nesse caso. Dizendo apenas "Machuquei o dedo.", o interlocutor já compreende de que dedo se trata. Portanto, a regra é a seguinte: Antes de substantivos que indicam partes do corpo, peças do vestuário e faculdades do espírito, é dispensado o pronome possessivo, quando há coincidência de pessoas (sujeito e pronome). O artigo definido, nesse caso, já confere ideia de posse. Outros exemplos: Vou escovar os dentes. / Não abri a boca. / Você já lavou as mãos? / Juçara sujou a blusa.
A próxima publicação deste Blog de comentários será festiva, celebrando o sétimo aniversário de presença na rede mundial de computadores. Oportunamente retomaremos o tema da língua padrão e os esclarecimentos das inúmeras dúvidas a ela referentes.
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Ano VII - número 83 - outubro/2017: Novo ensino médio?
Prezado (a) leitor (a), estamos novamente em outubro. Esse mês destaca, no dia 15, a data comemorativa do professor. Este Blog de comentários, interrompendo suas publicações habituais, enfatiza um assunto que atualmente repercute entre professores e estudantes do Brasil: a polêmica reforma do ensino médio, que nos próximos anos será implantada gradativamente. Tal reforma se insere perfeitamente no tema da preocupante situação da educação brasileira. Reproduziremos alguns dos principais trechos do artigo da professora Silvia Contaldo, extraído da revista PUC Minas, que trata do assunto.
"Novo ensino médio. Quem conhece aprova." Esse é o mote da campanha veiculada pelo Ministério da Educação para divulgação das mudanças na estrutura e na composição de um novo ensino médio. No entanto, parece não haver novidade. Permitindo-nos a contradição de termos, a novidade em questão já nasce velha. Trata-se de ato sumário do atual Poder Executivo, que prescindiu da arte de partejar mediante o diálogo e o empenho coletivo para que o novo fosse o melhor possível. Mas, ao contrário, disfarçando a realidade, pretende-se apresentar aos jovens 'a roupa nova do rei', cujo modelo pré-concebido e pré-determinado é ilusório. Está dito, dentre outros equívocos, que os jovens terão liberdade para escolher o que quiserem estudar. Se liberdade de escolha for a opção entre áreas de estudo hierarquizadas e disponibilizadas segundo os ditames do mercado, melhor seria renunciar à palavra liberdade. Mais uma vez a educação escolar fica submetida ao jugo de razões econômicas e serve de palanque para vozes que nada têm de novo para dizer. Reiteram velhas dicotomias _ entre a prática e a teoria, entre as 'exatas' e as 'humanas', entre a vocação e a profissão, e insistem na divisão disciplinar, já ultrapassada e disfarçada em 'percurso formativo'. Não cabe falar em 'novo ensino médio' se sequer cumprimos o ideal de Anísio Teixeira: "Educação não é privilégio." Os jovens que deveriam cursar o ensino médio estão, cada vez mais, fora da escola e seria uma aberração pedagógica pensar que esses jovens sentir-se-ão atraídos por um 'novo' ensino médio. Não há novo nem velho. Há descaso histórico com a educação, com as escolas para os jovens, com o projeto de vida desses futuros cidadãos. A escola não é uma ilha, fora do tecido social. Ela se faz nessa tessitura e, ao mesmo tempo, contra ela. É lugar de fortalecimento interior, de aperfeiçoamento e amadurecimento e não será com rearranjo de disciplinas ou com aumento de carga horária que os jovens se sentirão parte desse mundo."
****PROFESSOR (A), PARABÉNS PELO SEU DIA!****
sábado, 2 de setembro de 2017
Ano VII - número 82 - setembro/2017: A utilização da língua padrão e sua ênfase (IX)
Caro (a) leitor (a), damos prosseguimento, na presente publicação, ao tema da língua padrão, visando à correta expressão oral e escrita. A partir deste mês, serão esclarecidas dúvidas a respeito dos mais variados assuntos referentes à norma-padrão.
1. Duas letras representando um fonema apenas recebem o nome de dígrafo. E uma só letra representando dois fonemas simultaneamente que nome recebe?
Recebe o nome de dífono. Exemplos: táxi e tóxico, em que a letra x equivale aos fonemas ks.
2. Uma palavra monossílaba pode ser chamada de oxítona?
Não, em hipótese alguma. Uma palavra, para ser chamada de oxítona, precisa possuir ao menos duas sílabas. A monossílaba, possuindo somente uma sílaba, apenas pode ser designada tônica ou átona.
3. Em uma sílaba, pode existir só uma vogal. Como podem existir palavras com duas vogais na mesma sílaba?
1. Duas letras representando um fonema apenas recebem o nome de dígrafo. E uma só letra representando dois fonemas simultaneamente que nome recebe?
Recebe o nome de dífono. Exemplos: táxi e tóxico, em que a letra x equivale aos fonemas ks.
2. Uma palavra monossílaba pode ser chamada de oxítona?
Não, em hipótese alguma. Uma palavra, para ser chamada de oxítona, precisa possuir ao menos duas sílabas. A monossílaba, possuindo somente uma sílaba, apenas pode ser designada tônica ou átona.
3. Em uma sílaba, pode existir só uma vogal. Como podem existir palavras com duas vogais na mesma sílaba?
Não são duas vogais na mesma sílaba dessas palavras, pois isso jamais ocorrerá. Cada vogal forma uma sílaba. Na verdade, em tal sílaba, há um ditongo, que é o encontro de uma vogal e uma semivogal e vice-versa. Exemplos: bra-si-lei-ro; á-gua.
4. Til é acento gráfico?
Não. Trata-se de um sinal diacrítico, que é usado somente para alterar o valor fonético de uma vogal. Na língua portuguesa, não existe nenhuma palavra com dois acentos gráficos. Por exemplo: a palavra órgão só possui um acento gráfico, o agudo. O til é um sinal diacrítico, que serve para nasalizar a vogal a.
5. Qual o vocábulo correto: "abstêmio", "abstênio" ou "abstêmico"?
O vocábulo correto é abstêmio (= sóbrio, que não ingere bebida alcoólica).
6. As palavras anta e antigo têm o mesmo radical? São palavras cognatas?
Não. Embora as três primeiras letras de ambas sejam as mesmas (ant), não existe entre elas o mesmo conceito, a mesma ideia. Portanto, não pertencem à mesma família de palavras.
As dúvidas referentes à norma-padrão são realmente muito numerosas. Oportunamente este Blog irá esclarecê-las ainda mais.
4. Til é acento gráfico?
Não. Trata-se de um sinal diacrítico, que é usado somente para alterar o valor fonético de uma vogal. Na língua portuguesa, não existe nenhuma palavra com dois acentos gráficos. Por exemplo: a palavra órgão só possui um acento gráfico, o agudo. O til é um sinal diacrítico, que serve para nasalizar a vogal a.
5. Qual o vocábulo correto: "abstêmio", "abstênio" ou "abstêmico"?
O vocábulo correto é abstêmio (= sóbrio, que não ingere bebida alcoólica).
6. As palavras anta e antigo têm o mesmo radical? São palavras cognatas?
Não. Embora as três primeiras letras de ambas sejam as mesmas (ant), não existe entre elas o mesmo conceito, a mesma ideia. Portanto, não pertencem à mesma família de palavras.
As dúvidas referentes à norma-padrão são realmente muito numerosas. Oportunamente este Blog irá esclarecê-las ainda mais.
sábado, 29 de julho de 2017
Ano VII - número 81 - agosto/2017: A utilização da língua padrão e sua ênfase (VIII)
Assíduo (a) leitor (a), neste Blog de comentários, o destaque à norma-padrão prossegue através de mais um conjunto de frases com as devidas explanações. Na presente publicação, a utilização correta do infinitivo será enfatizada.
42. Ao expor nossos planos, deixamos os diretores entusiasmados.
Corrigindo: Ao expormos nossos planos, deixamos os diretores entusiasmados. > Nossa língua possui dois infinitivos: o pessoal (conjugável, portanto variável) e o impessoal (não conjugável, por isso, invariável). O infinitivo conjugável não existia em latim, logo nunca houve uniformidade em seu emprego, inclusive entre os melhores escritores da língua. Na frase acima, o verbo no infinitivo (expor) deve ser obrigatoriamente conjugado (expormos), pois aparece após a combinação ao (preposição + artigo). Outro exemplo: Toma cuidado ao dirigires à noite.
43. Entrar no cinema sem pagar! Que esperança a nossa!
Corrigindo: Entrarmos no cinema sem pagar! Que esperança a nossa! > O verbo no infinitivo (entrar) deve ser obrigatoriamente conjugado (entrarmos), pois ele possui sujeito (simples desinencial: nós) e aparece no início da frase, não regido de preposição. Outros exemplos: Deixarem as crianças com os vizinhos?! Nunca eles farão isso! (não regido de preposição) / Por terem feito isso, estão agora sofrendo. (regido de preposição)
44. Ganhamos o direito de votarmos para presidente.
Corrigindo: Ganhamos o direito de votar para presidente. > Quando houver coincidência de sujeitos, não se flexiona o infinitivo (sujeito simples desinencial: nós). Outros exemplos: Gostarias de trabalhar conosco? / Os policiais não podiam deixar de intervir.
45. As autoridades deram ordens para ser presos todos os agitadores.
Corrigindo: As autoridades deram ordens para serem presos todos os agitadores. > Quando o infinitivo tem sujeito próprio (todos os agitadores), diferente do sujeito da oração principal (as autoridades), ele deve ser flexionado. Outro exemplo: Permaneci calado, ouvindo os outros discutirem os seus problemas.
46. Faça-os entrarem.
Corrigindo: Faça-os entrar. > Caso o infinitivo tenha como sujeito um pronome pessoal oblíquo (os) com o qual constitua o objeto direto dos verbos deixar, fazer, mandar, ver, ouvir e sentir, ele não deve ser flexionado. Outro exemplo: Mande-as esperar um pouco.
As explanações referentes ao uso da norma-padrão continuam na próxima publicação. Até o próximo mês!
Corrigindo: Ao expormos nossos planos, deixamos os diretores entusiasmados. > Nossa língua possui dois infinitivos: o pessoal (conjugável, portanto variável) e o impessoal (não conjugável, por isso, invariável). O infinitivo conjugável não existia em latim, logo nunca houve uniformidade em seu emprego, inclusive entre os melhores escritores da língua. Na frase acima, o verbo no infinitivo (expor) deve ser obrigatoriamente conjugado (expormos), pois aparece após a combinação ao (preposição + artigo). Outro exemplo: Toma cuidado ao dirigires à noite.
43. Entrar no cinema sem pagar! Que esperança a nossa!
Corrigindo: Entrarmos no cinema sem pagar! Que esperança a nossa! > O verbo no infinitivo (entrar) deve ser obrigatoriamente conjugado (entrarmos), pois ele possui sujeito (simples desinencial: nós) e aparece no início da frase, não regido de preposição. Outros exemplos: Deixarem as crianças com os vizinhos?! Nunca eles farão isso! (não regido de preposição) / Por terem feito isso, estão agora sofrendo. (regido de preposição)
44. Ganhamos o direito de votarmos para presidente.
Corrigindo: Ganhamos o direito de votar para presidente. > Quando houver coincidência de sujeitos, não se flexiona o infinitivo (sujeito simples desinencial: nós). Outros exemplos: Gostarias de trabalhar conosco? / Os policiais não podiam deixar de intervir.
45. As autoridades deram ordens para ser presos todos os agitadores.
Corrigindo: As autoridades deram ordens para serem presos todos os agitadores. > Quando o infinitivo tem sujeito próprio (todos os agitadores), diferente do sujeito da oração principal (as autoridades), ele deve ser flexionado. Outro exemplo: Permaneci calado, ouvindo os outros discutirem os seus problemas.
46. Faça-os entrarem.
Corrigindo: Faça-os entrar. > Caso o infinitivo tenha como sujeito um pronome pessoal oblíquo (os) com o qual constitua o objeto direto dos verbos deixar, fazer, mandar, ver, ouvir e sentir, ele não deve ser flexionado. Outro exemplo: Mande-as esperar um pouco.
As explanações referentes ao uso da norma-padrão continuam na próxima publicação. Até o próximo mês!
quarta-feira, 28 de junho de 2017
Ano VII - número 80 - julho/2017: A utilização da língua padrão e sua ênfase (VII)
Prezado (a) leitor (a), como passa rápido o tempo... Eis que já entramos no segundo semestre de 2017, começando o mês de julho e logo, o costumeiro breve período de recesso para professores e estudantes.
Nesta publicação, mais um novo conjunto de enunciados com os devidos comentários e esclarecimentos. A partir de agora, todos os enunciados apresentados estarão incorretos para a devida correção e análise conforme a norma culta.
37. Nunca me simpatizei com essa mulher.
Corrigindo: Nunca simpatizei com essa mulher. > Enunciado que apresenta solecismo (erro de sintaxe de regência verbal). O verbo simpatizar não é pronominal. Portanto não é usado com pronome. O verbo antipatizar segue a mesma regra.
38. Quem mais se sobressaía na festa era sempre Teresa.
Corrigindo: Quem mais sobressaía na festa era sempre Teresa. > Frase que também apresenta solecismo. O verbo sobressair não é pronominal, isto é, não apresenta pronome fossilizado. Outro exemplo: Nunca sobressaí tanto quanto sobressaí ontem. / A grafia correta é Teresa (com s).
39. Se você puxar seu pai, está perdido! Se puxar sua mãe, então, está arruinado!
Corrigindo: Se você puxar a seu pai, está perdido! Se puxar a sua mãe, então, está arruinado! ou Se você puxar pelo seu pai, está perdido! Se puxar pela sua mãe, então, está arruinado! > O verbo puxar, no sentido de parecer, é transitivo indireto. Exige, portanto, complemento com a presença da preposição.
40. O professor ainda não procedeu a correção das provas.
Corrigindo: O professor ainda não procedeu à correção das provas. > O verbo proceder é transitivo indireto, que rege a preposição a. O uso frequente desse verbo sem a preposição se observa na linguagem coloquial, que faz analogia do sentido dele com o de outros verbos sinônimos, tais como realizar, efetuar etc. Porém, na linguagem culta, isso não deve ser aplicado, utilizando-se a preposição a ou sua combinação com o artigo junto ao verbo.
41. Desculpem a nossa falha!
Corrigindo: Desculpem-nos da falha! ou Desculpem-nos pela falha! > O verbo desculpar, com o sentido de justificar, escusar, relevar, é transitivo direto pronominal e indireto.
Na próxima publicação do Blog de comentários, mais um conjunto de enunciados para a devida apreciação sob a ótica da norma-padrão. Estimo um ótimo período de recesso a todos os participantes do processo educativo!
37. Nunca me simpatizei com essa mulher.
Corrigindo: Nunca simpatizei com essa mulher. > Enunciado que apresenta solecismo (erro de sintaxe de regência verbal). O verbo simpatizar não é pronominal. Portanto não é usado com pronome. O verbo antipatizar segue a mesma regra.
38. Quem mais se sobressaía na festa era sempre Teresa.
Corrigindo: Quem mais sobressaía na festa era sempre Teresa. > Frase que também apresenta solecismo. O verbo sobressair não é pronominal, isto é, não apresenta pronome fossilizado. Outro exemplo: Nunca sobressaí tanto quanto sobressaí ontem. / A grafia correta é Teresa (com s).
39. Se você puxar seu pai, está perdido! Se puxar sua mãe, então, está arruinado!
Corrigindo: Se você puxar a seu pai, está perdido! Se puxar a sua mãe, então, está arruinado! ou Se você puxar pelo seu pai, está perdido! Se puxar pela sua mãe, então, está arruinado! > O verbo puxar, no sentido de parecer, é transitivo indireto. Exige, portanto, complemento com a presença da preposição.
40. O professor ainda não procedeu a correção das provas.
Corrigindo: O professor ainda não procedeu à correção das provas. > O verbo proceder é transitivo indireto, que rege a preposição a. O uso frequente desse verbo sem a preposição se observa na linguagem coloquial, que faz analogia do sentido dele com o de outros verbos sinônimos, tais como realizar, efetuar etc. Porém, na linguagem culta, isso não deve ser aplicado, utilizando-se a preposição a ou sua combinação com o artigo junto ao verbo.
41. Desculpem a nossa falha!
Corrigindo: Desculpem-nos da falha! ou Desculpem-nos pela falha! > O verbo desculpar, com o sentido de justificar, escusar, relevar, é transitivo direto pronominal e indireto.
Na próxima publicação do Blog de comentários, mais um conjunto de enunciados para a devida apreciação sob a ótica da norma-padrão. Estimo um ótimo período de recesso a todos os participantes do processo educativo!
segunda-feira, 29 de maio de 2017
Ano VII - número 79 - junho/2017: A utilização da língua padrão e sua ênfase (VI)
Estimado (a) leitor (a), os enunciados seguidos pelos devidos esclarecimentos prosseguem neste Blog de comentários sob a luz do tema da utilização da língua padrão.
31. Sobrou uma bala e um rocambole apenas na mesa de doces da festa.
Frase correta de acordo com a norma-padrão. Nesse caso, o verbo fica no singular, concordando com o elemento mais próximo do sujeito composto (uma bala). Porém, o verbo também pode ficar no plural, concordando com todos os elementos do sujeito composto (sobraram).
32. Tanto você quanto eu estou na mesma situação.
Frase incorreta. Corrigindo: Tanto você quanto eu estamos na mesma situação. > O verbo estar deve ficar na primeira pessoa do plural, concordando com os sujeitos ligados por tanto... quanto.
33. Eu ou ele será o goleiro do time amanhã.
Enunciado correto conforme a norma-padrão. Quando os elementos do sujeito composto se acham ligados por ou, a concordância acontece de acordo com o sentido: se houver ideia de exclusão, o verbo concorda com o sujeito mais próximo. Outro exemplo: Ou eu ou tu ganharás o prêmio.
34. Não repare a bagunça do meu quarto!
Enunciado incorreto. Corrigindo: Não repare na bagunça do meu quarto. > Esse enunciado está incorreto porque apresenta solecismo (erro de sintaxe de regência verbal). O verbo reparar é transitivo indireto, portanto exige complemento com preposição, isto é, objeto indireto (na bagunça do meu quarto).
35. Desculpe-nos pelo transtorno: estamos trabalhando para o seu maior conforto!
Enunciado correto conforme a norma-padrão. A regência verbal está correta: quem desculpa, desculpa alguém por algo. Outra construção possível e correta: Desculpe-nos do transtorno: estamos trabalhando para o seu maior conforto!
36. Respondi todas as questões da prova.
Frase incorreta. Corrigindo: Respondi a todas as questões da prova. > O verbo responder é transitivo indireto, exigindo objeto indireto (complemento verbal antecedido de preposição a), mesmo que seu complemento não seja pessoa. A tendência dos falantes é omitir a preposição a.
Na próxima publicação, neste Blog de comentários, um novo conjunto de enunciados para a devida análise da língua padrão. Até o próximo mês!
Frase incorreta. Corrigindo: Tanto você quanto eu estamos na mesma situação. > O verbo estar deve ficar na primeira pessoa do plural, concordando com os sujeitos ligados por tanto... quanto.
33. Eu ou ele será o goleiro do time amanhã.
Enunciado correto conforme a norma-padrão. Quando os elementos do sujeito composto se acham ligados por ou, a concordância acontece de acordo com o sentido: se houver ideia de exclusão, o verbo concorda com o sujeito mais próximo. Outro exemplo: Ou eu ou tu ganharás o prêmio.
34. Não repare a bagunça do meu quarto!
Enunciado incorreto. Corrigindo: Não repare na bagunça do meu quarto. > Esse enunciado está incorreto porque apresenta solecismo (erro de sintaxe de regência verbal). O verbo reparar é transitivo indireto, portanto exige complemento com preposição, isto é, objeto indireto (na bagunça do meu quarto).
35. Desculpe-nos pelo transtorno: estamos trabalhando para o seu maior conforto!
Enunciado correto conforme a norma-padrão. A regência verbal está correta: quem desculpa, desculpa alguém por algo. Outra construção possível e correta: Desculpe-nos do transtorno: estamos trabalhando para o seu maior conforto!
36. Respondi todas as questões da prova.
Frase incorreta. Corrigindo: Respondi a todas as questões da prova. > O verbo responder é transitivo indireto, exigindo objeto indireto (complemento verbal antecedido de preposição a), mesmo que seu complemento não seja pessoa. A tendência dos falantes é omitir a preposição a.
Na próxima publicação, neste Blog de comentários, um novo conjunto de enunciados para a devida análise da língua padrão. Até o próximo mês!
domingo, 7 de maio de 2017
Ano VII - número 78 - maio/2017: A utilização da língua padrão e sua ênfase (V)
Prezado (a) leitor (a), no Blog de comentários, você continua tirando suas dúvidas a respeito dos aspectos referentes à norma-padrão através dos enunciados e comentários esclarecedores.
25. Vai fazer mais de vinte anos que não tiro férias.
Enunciado correto de acordo com a norma-padrão. A oração Vai fazer mais de vinte anos apresenta sujeito inexistente, pois contém o verbo fazer indicando tempo decorrido. A impessoalidade desse verbo passa para o seu verbo auxiliar ir, que está flexionado na terceira pessoa do singular (forma verbal: vai).
26. Um milhão de pessoas morreu nessa guerra.
Frase correta conforme a norma-padrão. Se a concordância do verbo morrer é feita com o numeral milhão que está no singular, ele também deve permanecer no singular (morreu).
27. Será que existe mesmo rios no deserto?
Frase incorreta. Corrigindo: Será que existem mesmo rios no deserto? > O verbo existir não está flexionado na forma correta, pois deve concordar com o substantivo rios no plural (existem).
28. Deve existir torcedores machucados no estádio.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Devem existir torcedores machucados no estádio. > O verbo existir, integrando uma locução verbal, deve ter o seu verbo auxiliar flexionado no plural a fim de concordar com o sujeito torcedores machucados (devem).
29. Podiam haver muitos feridos, mas ninguém sabia ao certo.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Podia haver muitos feridos, mas ninguém sabia ao certo. > O verbo haver da primeira oração está no sentido de existir e transmite a impessoalidade ao seu verbo auxiliar poder, que obrigatoriamente é flexionado no singular (podia). Trata-se de uma oração sem sujeito.
30. Sobe hoje o leite e o pão. Já subiu ontem a gasolina e o álcool.
Frases corretas de acordo com a norma-padrão. Nesse caso, o verbo subir, que vem antes do sujeito composto, concorda com os elementos mais próximos (leite/gasolina). Mas também essas frases estariam corretas da seguinte forma: Sobem hoje o leite e o pão. Já subiram ontem a gasolina e o álcool. > O verbo subir faz a concordância com todos os elementos da sequência: leite/pão e gasolina/álcool.
Na próxima publicação, novos enunciados propostos para a sua reflexão gramatical, observando a norma-padrão. Até o próximo mês!
Enunciado correto de acordo com a norma-padrão. A oração Vai fazer mais de vinte anos apresenta sujeito inexistente, pois contém o verbo fazer indicando tempo decorrido. A impessoalidade desse verbo passa para o seu verbo auxiliar ir, que está flexionado na terceira pessoa do singular (forma verbal: vai).
26. Um milhão de pessoas morreu nessa guerra.
Frase correta conforme a norma-padrão. Se a concordância do verbo morrer é feita com o numeral milhão que está no singular, ele também deve permanecer no singular (morreu).
27. Será que existe mesmo rios no deserto?
Frase incorreta. Corrigindo: Será que existem mesmo rios no deserto? > O verbo existir não está flexionado na forma correta, pois deve concordar com o substantivo rios no plural (existem).
28. Deve existir torcedores machucados no estádio.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Devem existir torcedores machucados no estádio. > O verbo existir, integrando uma locução verbal, deve ter o seu verbo auxiliar flexionado no plural a fim de concordar com o sujeito torcedores machucados (devem).
29. Podiam haver muitos feridos, mas ninguém sabia ao certo.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Podia haver muitos feridos, mas ninguém sabia ao certo. > O verbo haver da primeira oração está no sentido de existir e transmite a impessoalidade ao seu verbo auxiliar poder, que obrigatoriamente é flexionado no singular (podia). Trata-se de uma oração sem sujeito.
30. Sobe hoje o leite e o pão. Já subiu ontem a gasolina e o álcool.
Frases corretas de acordo com a norma-padrão. Nesse caso, o verbo subir, que vem antes do sujeito composto, concorda com os elementos mais próximos (leite/gasolina). Mas também essas frases estariam corretas da seguinte forma: Sobem hoje o leite e o pão. Já subiram ontem a gasolina e o álcool. > O verbo subir faz a concordância com todos os elementos da sequência: leite/pão e gasolina/álcool.
Na próxima publicação, novos enunciados propostos para a sua reflexão gramatical, observando a norma-padrão. Até o próximo mês!
quarta-feira, 29 de março de 2017
Ano VII - número 77 - abril/2017: A utilização da língua padrão e sua ênfase (IV)
Caro (a) leitor (a), o tema da utilização da língua padrão tem o seu prosseguimento no Blog de comentários, com novos enunciados seguidos de seus esclarecimentos devidos.
19. Não foi eu que fez isso.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Não fui eu que fiz isso. > O pronome relativo que exige que a concordância do verbo seja feita com o pronome pessoal reto anterior.
20. Não foi eu quem fez isso.
Frase incorreta. Corrigindo: Não fui eu quem fez isso. > O verbo ser deve concordar na primeira pessoa do singular com o pronome pessoal reto da primeira pessoa do singular (eu).
21. Ademir da Guia foi as maravilhas do futebol.
Enunciado em consonância com a norma-padrão, enfatizando a concordância verbal. Quando colocado entre um nome próprio (Ademir da Guia, sujeito) e um substantivo comum (maravilhas, predicativo do sujeito), o verbo ser possui a tendência de concordar com o nome próprio. A concordância do verbo ser é muito rica em detalhes na língua portuguesa.
22. Naquele dia, houveram muitos acontecimentos inesperados.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Naquele dia, houve muitos acontecimentos inesperados. > O enunciado possui sujeito inexistente, com o verbo impessoal haver no sentido de existir, devendo ficar na terceira pessoa do singular (houve).
23. Quantas pessoas pode haver na fila neste momento?
Frase correta conforme a norma-padrão. Trata-se de frase interrogativa contendo locução verbal: o verbo impessoal haver com o sentido de existir, que transmite sua impessoalidade ao verbo auxiliar pode.
24. Faz mais de vinte anos que não tiro férias.
Frase correta de acordo com a norma-padrão. O sujeito dela é inexistente, com o verbo impessoal fazer indicando tempo decorrido (terceira pessoa do singular).
Concluindo a publicação, estimo a todos os leitores uma feliz Páscoa! Até o próximo mês!
19. Não foi eu que fez isso.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Não fui eu que fiz isso. > O pronome relativo que exige que a concordância do verbo seja feita com o pronome pessoal reto anterior.
20. Não foi eu quem fez isso.
Frase incorreta. Corrigindo: Não fui eu quem fez isso. > O verbo ser deve concordar na primeira pessoa do singular com o pronome pessoal reto da primeira pessoa do singular (eu).
21. Ademir da Guia foi as maravilhas do futebol.
Enunciado em consonância com a norma-padrão, enfatizando a concordância verbal. Quando colocado entre um nome próprio (Ademir da Guia, sujeito) e um substantivo comum (maravilhas, predicativo do sujeito), o verbo ser possui a tendência de concordar com o nome próprio. A concordância do verbo ser é muito rica em detalhes na língua portuguesa.
22. Naquele dia, houveram muitos acontecimentos inesperados.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Naquele dia, houve muitos acontecimentos inesperados. > O enunciado possui sujeito inexistente, com o verbo impessoal haver no sentido de existir, devendo ficar na terceira pessoa do singular (houve).
23. Quantas pessoas pode haver na fila neste momento?
Frase correta conforme a norma-padrão. Trata-se de frase interrogativa contendo locução verbal: o verbo impessoal haver com o sentido de existir, que transmite sua impessoalidade ao verbo auxiliar pode.
24. Faz mais de vinte anos que não tiro férias.
Frase correta de acordo com a norma-padrão. O sujeito dela é inexistente, com o verbo impessoal fazer indicando tempo decorrido (terceira pessoa do singular).
Concluindo a publicação, estimo a todos os leitores uma feliz Páscoa! Até o próximo mês!
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Ano VII - número 76 - março/2017: A utilização da língua padrão e sua ênfase (III)
Prezado (a) leitor (a), estamos oportunizando a compreensão adequada da norma-padrão do nosso idioma através de enunciados propostos. Portanto, vamos dar continuidade a eles, sempre com os devidos esclarecimentos e comentários.
13. Conhecido o resultado da votação, choveu vaias.
Frase incorreta. Corrigindo: Conhecido o resultado da votação, choveram vaias. > O verbo chover, nesse caso, não é impessoal, pois apresenta um sujeito: vaias (simples), que está no plural. Portanto, deve concordar com ele no plural. Além disso, o sentido do verbo chover é figurado.
14. Reformam-se colchões velhos, porém, precisam-se de aprendizes.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Reformam-se colchões velhos, porém, precisa-se de aprendizes. > A primeira oração desse período (coordenada assindética) está na voz passiva sintética, devendo o verbo (reformam) concordar com o sujeito (colchões velhos) no plural. O se está na função de pronome apassivador. Já a segunda oração, que é coordenada sindética adversativa, apresenta sujeito indeterminado (verbo precisar, transitivo indireto, na terceira pessoa do singular + pronome se, índice de indeterminação do sujeito).
15. Dão-se aulas particulares de Português em domicílio.
Frase correta conforme a norma-padrão. A concordância do verbo está adequada e também o emprego da locução adverbial em domicílio, que deve ser utilizada quando existe na frase verbo sem noção de movimento (dar).
16. Duas guerras mundiais houve no século passado.
Frase correta de acordo com a norma-padrão. Trata-se de uma frase com sujeito inexistente, com o verbo impessoal haver no sentido de "existir" (terceira pessoa do singular).
17. Na juventude, tudo é flores; na velhice, tudo é trevas.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Na juventude, tudo são flores; na velhice, tudo são trevas. > Aqui faz-se necessária a utilização da concordância especial do verbo ser no plural com os predicativos do sujeito (flores/trevas), não com o sujeito simples (pronome indefinido tudo). Porém, em razão de estilo, algum escritor pode optar pelo uso da concordância com o sujeito.
18. Hoje são dois de novembro.
Enunciado correto conforme a norma-padrão, pois o verbo ser está concordando no plural com o número de dias. No entanto, tal concordância soa muito artificial, sendo melhor da seguinte forma: Hoje é dois de novembro. Assim, a concordância do verbo ser se faz com a palavra dia, que está, nesse caso, subentendida.
O (A) leitor (a) assíduo (a) deste Blog de comentários continuará em dia com a norma culta de nossa língua na próxima publicação. Sejam sempre bem-vindos!
14. Reformam-se colchões velhos, porém, precisam-se de aprendizes.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Reformam-se colchões velhos, porém, precisa-se de aprendizes. > A primeira oração desse período (coordenada assindética) está na voz passiva sintética, devendo o verbo (reformam) concordar com o sujeito (colchões velhos) no plural. O se está na função de pronome apassivador. Já a segunda oração, que é coordenada sindética adversativa, apresenta sujeito indeterminado (verbo precisar, transitivo indireto, na terceira pessoa do singular + pronome se, índice de indeterminação do sujeito).
15. Dão-se aulas particulares de Português em domicílio.
Frase correta conforme a norma-padrão. A concordância do verbo está adequada e também o emprego da locução adverbial em domicílio, que deve ser utilizada quando existe na frase verbo sem noção de movimento (dar).
16. Duas guerras mundiais houve no século passado.
Frase correta de acordo com a norma-padrão. Trata-se de uma frase com sujeito inexistente, com o verbo impessoal haver no sentido de "existir" (terceira pessoa do singular).
17. Na juventude, tudo é flores; na velhice, tudo é trevas.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Na juventude, tudo são flores; na velhice, tudo são trevas. > Aqui faz-se necessária a utilização da concordância especial do verbo ser no plural com os predicativos do sujeito (flores/trevas), não com o sujeito simples (pronome indefinido tudo). Porém, em razão de estilo, algum escritor pode optar pelo uso da concordância com o sujeito.
18. Hoje são dois de novembro.
Enunciado correto conforme a norma-padrão, pois o verbo ser está concordando no plural com o número de dias. No entanto, tal concordância soa muito artificial, sendo melhor da seguinte forma: Hoje é dois de novembro. Assim, a concordância do verbo ser se faz com a palavra dia, que está, nesse caso, subentendida.
O (A) leitor (a) assíduo (a) deste Blog de comentários continuará em dia com a norma culta de nossa língua na próxima publicação. Sejam sempre bem-vindos!
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
Ano VII - número 75 - fevereiro/2017: A utilização da língua padrão e sua ênfase (II)
O ano de 2017 segue e já estamos no segundo mês, que é o mais breve, com apenas vinte e oito dias. O feriado de Carnaval acontecerá no final de fevereiro, bem como o curto período de recesso. As instituições de ensino, em sua maioria, pouco a pouco, começam a retomar suas atividades após as merecidas férias.
Nesta publicação, prosseguimos com mais enunciados, com esclarecimentos precisos e comentários abalizados, sempre tendo em vista a norma padrão da nossa língua materna e a sua melhor compreensão.
7. Sou um dos que mais colabora e um dos que menos é reconhecido.
Frase correta. Porém, também está correta desta forma: Sou um dos que mais colaboram e um dos que menos são reconhecidos. > Quando o sujeito é o pronome relativo que precedido da expressão um dos, o verbo pode concordar na terceira pessoa do singular ou do plural, indiferentemente. Por exigência lógica, há casos em que o singular é obrigatório. Exemplo: "É uma das tragédias de Racine que se apresentará hoje no teatro."
8. Nunca fui um homem que criticou seu semelhante.
Frase correta de acordo com a norma-padrão, destacando a concordância verbal.
9. Deu cinco horas o relógio da sala agora há pouco.
Frase correta conforme a norma-padrão. O sujeito dela é o relógio da sala que aparece posposto ao verbo. O verbo (deu) concorda em número e pessoa com o sujeito.
10. Deram cinco horas no relógio da sala agora há pouco.
Enunciado correto de acordo com a norma-padrão. Trata-se de uma frase com sujeito inexistente, em que o verbo fica no plural (deram) para concordar com o numeral (cinco).
11. Falta poucos minutos para bater o sinal de saída.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Faltam poucos minutos para bater o sinal de saída. > O sujeito da primeira oração se encontra no plural (poucos minutos). Portanto, o verbo deve concordar com ele no plural (faltam) da mesma forma que o verbo da segunda oração no singular (bater) concorda com o sujeito que está no singular (o sinal de saída).
12. Mais de um aluno passou; menos de dois alunos se transferiram.
Enunciado correto conforme a norma-padrão. Com as expressões "mais de um" e "menos de dois", os verbos concordam com o numeral (respectivamente, passou e transferiram).
Concluindo mais uma publicação, para todos os profissionais do ensino e estudantes, desejo bom retorno às suas atividades!
7. Sou um dos que mais colabora e um dos que menos é reconhecido.
Frase correta. Porém, também está correta desta forma: Sou um dos que mais colaboram e um dos que menos são reconhecidos. > Quando o sujeito é o pronome relativo que precedido da expressão um dos, o verbo pode concordar na terceira pessoa do singular ou do plural, indiferentemente. Por exigência lógica, há casos em que o singular é obrigatório. Exemplo: "É uma das tragédias de Racine que se apresentará hoje no teatro."
8. Nunca fui um homem que criticou seu semelhante.
Frase correta de acordo com a norma-padrão, destacando a concordância verbal.
9. Deu cinco horas o relógio da sala agora há pouco.
Frase correta conforme a norma-padrão. O sujeito dela é o relógio da sala que aparece posposto ao verbo. O verbo (deu) concorda em número e pessoa com o sujeito.
10. Deram cinco horas no relógio da sala agora há pouco.
Enunciado correto de acordo com a norma-padrão. Trata-se de uma frase com sujeito inexistente, em que o verbo fica no plural (deram) para concordar com o numeral (cinco).
11. Falta poucos minutos para bater o sinal de saída.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Faltam poucos minutos para bater o sinal de saída. > O sujeito da primeira oração se encontra no plural (poucos minutos). Portanto, o verbo deve concordar com ele no plural (faltam) da mesma forma que o verbo da segunda oração no singular (bater) concorda com o sujeito que está no singular (o sinal de saída).
12. Mais de um aluno passou; menos de dois alunos se transferiram.
Enunciado correto conforme a norma-padrão. Com as expressões "mais de um" e "menos de dois", os verbos concordam com o numeral (respectivamente, passou e transferiram).
Concluindo mais uma publicação, para todos os profissionais do ensino e estudantes, desejo bom retorno às suas atividades!
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Ano VII - número 74 - janeiro/2017: A utilização da língua padrão e sua ênfase (I)
Estimado (a) leitor (a), na inexorável passagem do tempo, eis que chega o ano da graça de 2017. E ele inicia com o mês de merecidas férias nas instituições de ensino brasileiras, com a maioria das atividades suspensas.
Durante este ano, o Blog de comentários destinará diversas publicações, destacando a norma padrão da língua portuguesa. Serão propostos vários enunciados, seguidos de esclarecimentos precisos e de comentários abalizados, no intuito da melhor compreensão do funcionamento de nosso idioma.
1. Os Estados Unidos vão participar dessa competição.
Frase correta de acordo com a norma-padrão, tanto no aspecto da concordância nominal quanto no da concordância verbal.
2. O pessoal lá de casa não gostaram muito de você.
Enunciado incorreto. Corrigindo: O pessoal lá de casa não gostou muito de você. > Cabe aqui a concordância do verbo no singular, referindo-se ao termo pessoal (substantivo coletivo), que está no singular. Em situação excepcional, estaria correto, com a utilização da concordância ideológica (figura de linguagem: de sintaxe ou de construção, chamada silepse de número).
3. A gente não queremos briga com ninguém.
Enunciado incorreto. Corrigindo: A gente não quer briga com ninguém. > É óbvio que a gente (expressão coloquial) corresponde a nós (forma culta). A concordância gramatical obriga que o verbo fique no singular, pois a referida expressão está no singular. Portanto, não se justifica o uso da concordância ideológica (figura de linguagem: de sintaxe ou de construção, denominada silepse de pessoa), a não ser em caso excepcional.
4. Aqui não se colhe flores nem se fabrica dinheiro.
Frase incorreta. Corrigindo: Aqui não se colhem flores nem se fabrica dinheiro. > Os verbos da frase estão na voz passiva sintética e devem concordar com os seus respectivos sujeitos (flores e dinheiro). Na voz passiva analítica, ficaria da seguinte forma: Aqui não são colhidas flores nem é fabricado dinheiro.
5. A maioria dos homens não ficou aborrecida com a cena.
Frase correta conforme a norma-padrão, tanto no aspecto da concordância verbal quanto no da concordância nominal.
6. Os Estados Unidos são um dos países que mais luta pela liberdade.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Os Estados Unidos são um dos países que mais lutam pela liberdade. > O verbo lutar deve ser flexionado no plural para concordar com a palavra países.
Em dezembro, o Blog de comentários linguísticos entrou no seu sétimo ano na rede mundial de computadores e trará novamente neste ano valiosos esclarecimentos e comentários críticos para o efetivo conhecimento de seus leitores assíduos. Excelente ano de 2017 e proveitoso período de descanso!
4. Aqui não se colhe flores nem se fabrica dinheiro.
Frase incorreta. Corrigindo: Aqui não se colhem flores nem se fabrica dinheiro. > Os verbos da frase estão na voz passiva sintética e devem concordar com os seus respectivos sujeitos (flores e dinheiro). Na voz passiva analítica, ficaria da seguinte forma: Aqui não são colhidas flores nem é fabricado dinheiro.
5. A maioria dos homens não ficou aborrecida com a cena.
Frase correta conforme a norma-padrão, tanto no aspecto da concordância verbal quanto no da concordância nominal.
6. Os Estados Unidos são um dos países que mais luta pela liberdade.
Enunciado incorreto. Corrigindo: Os Estados Unidos são um dos países que mais lutam pela liberdade. > O verbo lutar deve ser flexionado no plural para concordar com a palavra países.
Em dezembro, o Blog de comentários linguísticos entrou no seu sétimo ano na rede mundial de computadores e trará novamente neste ano valiosos esclarecimentos e comentários críticos para o efetivo conhecimento de seus leitores assíduos. Excelente ano de 2017 e proveitoso período de descanso!
domingo, 27 de novembro de 2016
Ano VII - número 73 - dezembro/2016 - *edição especial*: Sexto aniversário do Blog de Comentários
Prezado leitor, cara leitora, o mês de dezembro é deveras significativo para este Blog, que, neste ano, comemora o seu sexto aniversário e o terceiro ano de sua reinauguração.
Porém, o BLOG PROF. STEFAN - LÍNGUA PORTUGUESA - COMENTÁRIOS é quem presenteia com intenso júbilo os seus fiéis leitores como de costume. Desta vez, com mais um artigo esclarecedor, tratando sobre o Português no Mundo. Leia-o atentamente para o seu aprimoramento intelectual.
Atualmente o português é língua oficial de oito países (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor Leste). Apesar da incorporação de vocábulos nativos e de modificações gramaticais e de pronúncia próprias de cada país, as línguas mantêm uma unidade com o português de Portugal.
O português também é falado em pequenas comunidades, reflexão de povoamentos portugueses datados do século XVI, como é o caso de:
Zanzibar (na Tanzânia, costa oriental da África);
Macau (ex-possessão portuguesa encravada na China);
Goa, Diu, Damão (na Índia);
Málaca (na Malásia).
A Língua Portuguesa se faz presente em todos os continentes, observe:
América: O Brasil é o único país de língua portuguesa na América. Durante o período colonial, o português falado no Brasil foi influenciado pelas línguas indígenas, africanas e de imigrantes europeus. Isso explica as diferenças regionais na pronúncia e no vocabulário verificadas, por exemplo, no nordeste e no sul do país. Apesar disso, a língua conserva a uniformidade gramatical em todo o território.
Europa: O português é a língua oficial de Portugal. Em 1986, o país passa a integrar a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a língua portuguesa é adotada como um dos idiomas oficiais da organização. Existem falantes concentrados na França, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e Suécia, sendo a França o país com mais falantes.
Ásia: Entre os séculos XVI e XVIII, o português atuou como língua franca nos portos da Índia e sudeste da Ásia. Atualmente, a cidade de Goa, na Índia, é o único lugar do continente onde o português sobrevive na sua forma original. Entretanto, o idioma está sendo gradualmente substituído pelo inglês. Em Damão e Diu (Índia), Java (Indonésia), Macau (ex-território português), Sri Lanka e Málaca (Malásia), fala-se o crioulo, língua que conserva o vocabulário do português, mas adota formas gramaticais diferentes.
Oceania: O português é idioma oficial no Timor Leste. No entanto, a língua dominante no país é o tétum. Devido à recente ocupação indonésia, grande parte da população compreende o indonésio bahasa e apenas uma minoria compreende o português.
África: O português é a língua oficial de cinco países, sendo usado na administração, no ensino, na imprensa e nas relações internacionais. A língua convive com diversos dialetos crioulos.
Em Angola, 60% dos moradores falam o português como língua materna. Cerca de 40% da população fala dialetos crioulos como o bacongo, o quimbundo, o ovibundo e o chacue.
Em Cabo Verde, quase todos os habitantes falam o português e um dialeto crioulo, que mescla o português arcaico a línguas africanas. Há duas variedades desse dialeto, a de Barlavento e a de Sotavento.
Em Guiné-Bissau, 90% da população fala o dialeto crioulo ou dialetos africanos, enquanto apenas 10% utiliza o português.
Em Moçambique, somente 0,18% da população considera o português como língua oficial, embora seja falado por mais de 2 milhões de moçambicanos. A maioria dos habitantes usa línguas locais, principalmente as do grupo banto.
Nas ilhas de São Tomé e Príncipe, apenas 2,5% dos habitantes falam a língua portuguesa. A maioria utiliza dialetos locais, como o forro e o moncó. (Extraído e adaptado de www.soportugues.com.br)
Concluindo, os melhores votos de feliz e santo Natal para todos os internautas leitores deste Blog aniversariante!
Atualmente o português é língua oficial de oito países (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor Leste). Apesar da incorporação de vocábulos nativos e de modificações gramaticais e de pronúncia próprias de cada país, as línguas mantêm uma unidade com o português de Portugal.
O português também é falado em pequenas comunidades, reflexão de povoamentos portugueses datados do século XVI, como é o caso de:
Zanzibar (na Tanzânia, costa oriental da África);
Macau (ex-possessão portuguesa encravada na China);
Goa, Diu, Damão (na Índia);
Málaca (na Malásia).
A Língua Portuguesa se faz presente em todos os continentes, observe:
América: O Brasil é o único país de língua portuguesa na América. Durante o período colonial, o português falado no Brasil foi influenciado pelas línguas indígenas, africanas e de imigrantes europeus. Isso explica as diferenças regionais na pronúncia e no vocabulário verificadas, por exemplo, no nordeste e no sul do país. Apesar disso, a língua conserva a uniformidade gramatical em todo o território.
Europa: O português é a língua oficial de Portugal. Em 1986, o país passa a integrar a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a língua portuguesa é adotada como um dos idiomas oficiais da organização. Existem falantes concentrados na França, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e Suécia, sendo a França o país com mais falantes.
Ásia: Entre os séculos XVI e XVIII, o português atuou como língua franca nos portos da Índia e sudeste da Ásia. Atualmente, a cidade de Goa, na Índia, é o único lugar do continente onde o português sobrevive na sua forma original. Entretanto, o idioma está sendo gradualmente substituído pelo inglês. Em Damão e Diu (Índia), Java (Indonésia), Macau (ex-território português), Sri Lanka e Málaca (Malásia), fala-se o crioulo, língua que conserva o vocabulário do português, mas adota formas gramaticais diferentes.
Oceania: O português é idioma oficial no Timor Leste. No entanto, a língua dominante no país é o tétum. Devido à recente ocupação indonésia, grande parte da população compreende o indonésio bahasa e apenas uma minoria compreende o português.
África: O português é a língua oficial de cinco países, sendo usado na administração, no ensino, na imprensa e nas relações internacionais. A língua convive com diversos dialetos crioulos.
Em Angola, 60% dos moradores falam o português como língua materna. Cerca de 40% da população fala dialetos crioulos como o bacongo, o quimbundo, o ovibundo e o chacue.
Em Cabo Verde, quase todos os habitantes falam o português e um dialeto crioulo, que mescla o português arcaico a línguas africanas. Há duas variedades desse dialeto, a de Barlavento e a de Sotavento.
Em Guiné-Bissau, 90% da população fala o dialeto crioulo ou dialetos africanos, enquanto apenas 10% utiliza o português.
Em Moçambique, somente 0,18% da população considera o português como língua oficial, embora seja falado por mais de 2 milhões de moçambicanos. A maioria dos habitantes usa línguas locais, principalmente as do grupo banto.
Nas ilhas de São Tomé e Príncipe, apenas 2,5% dos habitantes falam a língua portuguesa. A maioria utiliza dialetos locais, como o forro e o moncó. (Extraído e adaptado de www.soportugues.com.br)
Concluindo, os melhores votos de feliz e santo Natal para todos os internautas leitores deste Blog aniversariante!
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Ano VI - número 72 - novembro/2016: O Acordo Ortográfico e sua polêmica (IX)
Caro leitor, cara leitora, nesta publicação, damos prosseguimento ao tema da reforma ortográfica e já nos encaminhamos à sua conclusão. Neste mês de novembro, a polêmica em torno do Acordo Ortográfico continua como o assunto em pauta.
No estado do Acre, surgiu uma polêmica. Lá os seus habitantes afirmam que foi o Acordo que alterou a grafia do adjetivo gentílico acreano para acriano.
Na verdade, a composição do adjetivo gentílico remete a uma norma antiga, que o Acordo apenas manteve. De acordo com essa regra, do substantivo próprio Iraque, por exemplo, retira-se a última vogal e acrescenta-se o sufixo -iano. Da mesma forma, acriano.
Observa-se que o povo do Acre rejeita a norma-padrão, pretendendo tornar legítimo o seu tradicional "acreano". Quer fazer valer esse hábito seu. Diz estar no seu direito. Aliás, por que a regra deveria se sobrepor ao costume, se este não fere a dignidade de ninguém?
O Direito ensina que a norma serve para salvaguardar um valor. O valor maior, nessa situação, é a cultura local, que deve ser defendida e promovida porque representa a identidade do povo, seu modo de viver, sua história de resistência e, consequentemente, sua soberania e autoestima.
Para solucionar tal impasse expresso pelo desejo da população, o governo do Estado preparou no início do ano uma consulta pública pela Internet, para verificar se o termo "acreano" seria confirmado como o preferido. Na época, a AAL (Academia Acreana de Letras) se posicionou contra a mudança, alegando que nenhum decreto pode modificar uma tradição e que o gentílico é parte fundamental da construção identitária dos habitantes de determinado local. O próximo passo seria tomar as medidas legais cabíveis para torná-lo oficial.
Dito e feito. Após consulta pública e análise na Aleac (Assembleia Legislativa do Acre), o governador Tião Viana sancionou a lei Nº. 3.148 que institui o termo "acreano" com "e" como o gentílico oficial do estado. O texto foi publicado na edição do dia 28/07/2016 do Diário Oficial do Estado.
Porém, vale registrar, em meio à polêmica, algumas reações criativas dos cidadãos, que ilustram o bom humor do povo. Por exemplo, esta indignação extraída de uma rede social: "É melhor devolver o Acre pra Bolívia do que escrever 'acreano' com "i"."
Dessa forma, concluímos, neste Blog, as considerações e os comentários a respeito do tema da reforma ortográfica, que foram feitos ao longo do ano, desde o mês de fevereiro. É importante enfatizar que a nova ortografia se tornou obrigatória em janeiro de 2016.
No estado do Acre, surgiu uma polêmica. Lá os seus habitantes afirmam que foi o Acordo que alterou a grafia do adjetivo gentílico acreano para acriano.
Na verdade, a composição do adjetivo gentílico remete a uma norma antiga, que o Acordo apenas manteve. De acordo com essa regra, do substantivo próprio Iraque, por exemplo, retira-se a última vogal e acrescenta-se o sufixo -iano. Da mesma forma, acriano.
Observa-se que o povo do Acre rejeita a norma-padrão, pretendendo tornar legítimo o seu tradicional "acreano". Quer fazer valer esse hábito seu. Diz estar no seu direito. Aliás, por que a regra deveria se sobrepor ao costume, se este não fere a dignidade de ninguém?
O Direito ensina que a norma serve para salvaguardar um valor. O valor maior, nessa situação, é a cultura local, que deve ser defendida e promovida porque representa a identidade do povo, seu modo de viver, sua história de resistência e, consequentemente, sua soberania e autoestima.
Para solucionar tal impasse expresso pelo desejo da população, o governo do Estado preparou no início do ano uma consulta pública pela Internet, para verificar se o termo "acreano" seria confirmado como o preferido. Na época, a AAL (Academia Acreana de Letras) se posicionou contra a mudança, alegando que nenhum decreto pode modificar uma tradição e que o gentílico é parte fundamental da construção identitária dos habitantes de determinado local. O próximo passo seria tomar as medidas legais cabíveis para torná-lo oficial.
Dito e feito. Após consulta pública e análise na Aleac (Assembleia Legislativa do Acre), o governador Tião Viana sancionou a lei Nº. 3.148 que institui o termo "acreano" com "e" como o gentílico oficial do estado. O texto foi publicado na edição do dia 28/07/2016 do Diário Oficial do Estado.
Porém, vale registrar, em meio à polêmica, algumas reações criativas dos cidadãos, que ilustram o bom humor do povo. Por exemplo, esta indignação extraída de uma rede social: "É melhor devolver o Acre pra Bolívia do que escrever 'acreano' com "i"."
Dessa forma, concluímos, neste Blog, as considerações e os comentários a respeito do tema da reforma ortográfica, que foram feitos ao longo do ano, desde o mês de fevereiro. É importante enfatizar que a nova ortografia se tornou obrigatória em janeiro de 2016.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Ano VI - número 71 - outubro/2016: A situação atual da educação brasileira (II)
Caro (a) leitor (a), chegamos mais uma vez ao mês de outubro, que, anualmente, é portador da data dedicada aos professores. A cada ano que passa, a conjuntura educacional brasileira se vê envolta em crescentes e gravíssimos problemas. Este Blog, mais uma vez, interrompe suas habituais publicações, para destacar o palpitante tema da preocupante situação da educação brasileira.
Nos anos 1950/1960, pensava-se que bastaria dotar os professores de livros e de materiais pedagógicos novos. Mas, a realidade é que a excelência e a qualidade da educação estão ligadas fortemente à qualidade da formação docente. Outro fato é que aquilo que o professor pensa sobre o ensino determina o que ele faz quando ensina.
O desenvolvimento dos professores é uma condição imprescindível para o desenvolvimento da escola. Sem o docente, nenhuma reforma, inovação ou transformação irá perdurar.
Os professores devem ser considerados como sujeitos que, em atividade profissional, são levados a se envolver em situações formais de aprendizagem.
Somente ocorrerão mudanças profundas quando a formação dos docentes deixar de ser um mero processo de atualização, executada de cima para baixo, e se converter em verdadeiro processo de aprendizagem, como um ganho individual e coletivo, e não como uma agressão.
Tal situação sombria da educação brasileira também é resultado de pouco engajamento e pressão por parte da população de um modo geral, contribuindo à lentidão.
Enquanto isso, a tão almejada meta de alfabetizar todas as crianças até os oito anos de idade está distante de ser atingida e ainda se carrega o peso de um baixo desempenho no IDEB. A meta do Brasil é de chegar a 6 no ano de 2022.
Concluindo, resta-nos homenagear a todos os valorosos mestres do nosso Brasil, que são verdadeiros heróis em meio às gravíssimas dificuldades de toda ordem por que estão passando e abandonados irresponsavelmente pelo poder público constituído.
SALVE DIA 15 DE OUTUBRO: DIA DO PROFESSOR!
sábado, 3 de setembro de 2016
Ano VI - número 70 - setembro/2016: O Acordo Ortográfico e sua polêmica (VIII)
Prezado (a) leitor (a), prosseguimos, na presente publicação, com o tema da reforma ortográfica, pois a nova ortografia se tornou obrigatória em janeiro deste ano. Neste mês, trataremos sobre o Acordo Ortográfico e sua polêmica.
Esse Acordo de unificação ortográfica, embora esteja sendo discutido agora, na verdade, possui suas raízes no início da década de 1990. O Acordo, desde aquela época, pretende a unificação da ortografia da língua portuguesa, e não da língua portuguesa. A língua é uma coisa viva, em constante mutação, que varia de acordo com a província, com os enunciados e necessidades dos falantes. E unificar a ortografia, diga-se de passagem, jamais foi tarefa fácil, mas é possível.
Os países lusófonos decidiram unificar as formas de grafar os vocábulos que são grafados de maneira diferente em cada localidade. Somente foi alterado aquilo que diferia muito nas grafias e que não alteraria por demais a relação dos falantes com a língua portuguesa.
Por isso, não é correto o argumento em que se afirma que não é uma unificação de verdade porque permite duas grafias, uma vez que elas passam a ser consideradas oficiais e o valor de ambas é unificado.
Em termos reais, é muito difícil afirmar o número de palavras alteradas porque é impossível quantificar as palavras de um idioma. Os portugueses não admitem o Acordo porque desejam preservar a pureza da língua.
Entretanto, o português falado no Brasil é muito mais parecido com o português que se falava no século XVI. Conclui-se que aqui o português é mais antigo e, portanto, a pureza é mais preservada por nós do que por eles.
Com o Acordo de unificação ortográfica, a legitimidade da língua estará com todos os países lusófonos, e não apenas com Portugal.
Outra afirmação incorreta é a de que, com a retirada de alguns acentos, a reforma pretende tornar o português um idioma mais jovem, mais moderno e mais próximo da língua utilizada pelos jovens nas redes sociais. Ora, quando o Acordo foi proposto, a Internet era muito pouco difundida e a inspiração não era essa. Não foi tal descompromisso dos jovens com as regras gramaticais que norteou o Acordo.
A próxima publicação do Blog estará voltada aos mestres, no mês que lhes é dedicado. Oportunamente, retornaremos ao tema do Acordo Ortográfico e sua polêmica.
Esse Acordo de unificação ortográfica, embora esteja sendo discutido agora, na verdade, possui suas raízes no início da década de 1990. O Acordo, desde aquela época, pretende a unificação da ortografia da língua portuguesa, e não da língua portuguesa. A língua é uma coisa viva, em constante mutação, que varia de acordo com a província, com os enunciados e necessidades dos falantes. E unificar a ortografia, diga-se de passagem, jamais foi tarefa fácil, mas é possível.
Os países lusófonos decidiram unificar as formas de grafar os vocábulos que são grafados de maneira diferente em cada localidade. Somente foi alterado aquilo que diferia muito nas grafias e que não alteraria por demais a relação dos falantes com a língua portuguesa.
Por isso, não é correto o argumento em que se afirma que não é uma unificação de verdade porque permite duas grafias, uma vez que elas passam a ser consideradas oficiais e o valor de ambas é unificado.
Em termos reais, é muito difícil afirmar o número de palavras alteradas porque é impossível quantificar as palavras de um idioma. Os portugueses não admitem o Acordo porque desejam preservar a pureza da língua.
Entretanto, o português falado no Brasil é muito mais parecido com o português que se falava no século XVI. Conclui-se que aqui o português é mais antigo e, portanto, a pureza é mais preservada por nós do que por eles.
Com o Acordo de unificação ortográfica, a legitimidade da língua estará com todos os países lusófonos, e não apenas com Portugal.
Outra afirmação incorreta é a de que, com a retirada de alguns acentos, a reforma pretende tornar o português um idioma mais jovem, mais moderno e mais próximo da língua utilizada pelos jovens nas redes sociais. Ora, quando o Acordo foi proposto, a Internet era muito pouco difundida e a inspiração não era essa. Não foi tal descompromisso dos jovens com as regras gramaticais que norteou o Acordo.
A próxima publicação do Blog estará voltada aos mestres, no mês que lhes é dedicado. Oportunamente, retornaremos ao tema do Acordo Ortográfico e sua polêmica.
sábado, 30 de julho de 2016
Ano VI - número 69 - agosto/2016: O Acordo Ortográfico, o hífen e o acento diferencial (VII)
Assíduo (a) leitor (a), na presente publicação, concluiremos o tema da reforma ortográfica no que se refere ao emprego do hífen. Também veremos o acento diferencial na reforma ortográfica.
No intuito da melhor compreensão sobre as regras específicas do emprego do hífen, vamos exemplificá-las através de grupos de palavras.
1. autoafirmação
2. contrassenso, corredator, antirroubo
3. preencher, pronome: Os elementos pre- e pro- átonos se aglutinam ao segundo elemento.
4. pré-histórico, pré-pago, pós-operatório: Os elementos pré- e pós- tônicos exigem hífen.
5. semi-integral, auto-observação, anti-inflamatório
6. sobre-humano: Quando o segundo elemento inicia com h, o hífen se mantém.
7. extracurricular
8. desumanizar, inabitual: Quando o primeiro elemento é des- ou in- e o segundo elemento inicia com h, os dois elementos se aglutinam e o h fica eliminado.
Com relação ao acento diferencial, observemos as orações a seguir:
I. Ele não pôde evitar o atraso.
II. Não se pode dizer que ele não foi avisado.
As palavras em destaque nas orações I e II apresentam diferença sonora e semântica: pôde: timbre fechado, indica passado; pode: timbre aberto, indica presente.
I. Ela já passou por aqui.
II. Ele é a cara da mãe, sem tirar nem pôr.
Pôr: verbo, monossílabo tônico; por: preposição, monossílabo átono.
As palavras pôde e pôr são as únicas da língua portuguesa que recebem, atualmente, um acento denominado diferencial. Para indicar o pretérito perfeito do indicativo do verbo poder, com timbre fechado, e para diferenciar o infinitivo do verbo pôr da preposição por, deve-se utilizar o acento circunflexo.
Na próxima publicação, de setembro, traremos mais considerações a respeito do tema da reforma ortográfica. Até o próximo mês!
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